terça-feira, novembro 30, 2004

Adeusinho!!

Não consigo expressar a alegria que tenho por saber que o Sampaio mandou o Santana Flopes para o Desemprego. Ups!! lá vai a taxa de desemprego aumentar outra vez com mais um desempregado!!!!


Justitia

Qualquer sociedade, de um qualquer país, pretende-se justa. A justiça é um dos pilares basilares de uma nação que se forma ou emancipa. A sua celeridade, o seu funcionamento e a sua rectidão, são a garantia tácita de que todos os que compõem essa sociedade poderão viver com um relativo, mas estável, sentido de justiça e de paz. A simples noção de poder apelar a um sistema que julga, que pune, que absolve, de uma forma justa, os que são inocentes de quem prevarica, é a garantia moral que, apesar de tudo, alguma coisa funciona.
Descartes dizia que se uma premissa estiver errada, todos os juízos subsequentes estarão errados também, apesar de estes poderem parecer encerrar em si uma lógica. Quando um sistema judicial de um qualquer país assenta a sua preponderância na figura de um Juiz e de um delegado do Ministério público, está a pender, sobre a justiça, as premissas de duas figuras. Como os demais, são humanos, têm pensamentos, convicções, incertezas, certezas e razões que os movem, os impelem, para analisar os demais e o mundo que os rodeia. Têm premissas como todos nós e raciocínios lógicos também como nós, são falíveis, como falível é qualquer ser humano. No entanto, um sistema que prevê uma política de amedrontamento latente de todos os intervenientes do Sistema Judicial, fazendo com que estes mergulhem num mar lunático da tranquilidade, podre, de princípios que aos factos nada servem, antes pelo contrário, é romper abruptamente toda e qualquer esperança que depositamos num sistema que preconiza a luta entre o BEM e o MAL. O Sistema mergulha numa espiral em que não se distingue um pólo do outro, está confuso. O BEM pode ser o MAL e vice-versa e o princípio do contraditório entra, afinal somos humanos, temos que compreender que poderemos errar.
Nem tudo está mal no Sistema Judicial, este é galante e educado, reconhece os demais notáveis representantes da mais fina Sociedade. A boa sociedade vê aqui a celeridade de um sistema que pune, que anda, que assegura a necessária segurança para prosseguirmos na luta entre o BEM e o MAL. O Sistema vive numa grave depressão, aconselha-se uma higiene do sono eficaz para evitar as alucinações corporativistas que o apoquentam. Deverá fugir das suas secretarias poeirentas que lhe causam sinusite e má disposição, os secretários não são pajens de costas largas para aguentarem a todo custo os impropérios, o Hospital está cheio. Como fase final, aconselha-se uma terapia ocupacional, a actividade far-lhe-á levantar a moral e a auto-estima. O exercício fará maravilhosas melhorias ao seu aspecto que se arrasta.
Devo dizer primeiro que não sou advogado, nem juiz, nem Delegado do Ministério Público e respeito o trabalho dos referidos mas, não desculpo o Sistema Judicial nem o Corporativismo da classe.

segunda-feira, novembro 29, 2004

Middle age crisis

De todo o tempo que me conheço, conheci várias pessoas, várias personalidades, vários episódios imemoráveis por vários motivos. No entanto, é engraçado ver como certas pessoas crescem e envelhecem, enfim, amadurecem. Encontrei uma amiga minha que não via à 10 anos, ela, para mim, pareceu-me igual à última vez que a vi, mas ela disse-me que eu estava muito diferente. Quando ela me disse : " Estás mais gordo pá! " eu fiquei a pensar cá para os meus botões: " hum...gordo!? Bolas! tou só com 75 Kg que para a minha altura é muito bom!" só depois é que me lembrei que, a minha amiga, quando me viu pela última vez eu era um trinca espinhas com 63 Kg. O tempo passa depressa.
Outro aspecto que têm estes momentos de reencontro é o facto de nós inculcarmos as recordações que temos de pessoas que já não vemos à muito tempo. Regra geral, as pessoas mudam, vão amadurecendo e, infelizmente, vão ficando muito chatas. Estarmos a conversar com pessoal que conhecemos quando éramos crianças, recordando os episódios imemoráveis de mil diabruras e verificar como entretanto ficaram chatos , faz-nos pensar acerca de várias coisas. Claro está que já não faço nem metade das diabruras que fazia quando mais jovem, no entanto, tenho um puto traquinas dentro de mim, é mais forte do que eu confesso.

DVD voador

À quatro dias foi nomeado e já apresentou o pedido de demissão, o Ministro dos Desportos, entretanto recebeu um DVD que foi janela fora. Quem é que levou com o DVD em cima?
Na carta de demissão o ministro fala em traição. Será que prometeram um gabinete com DVD e afinal este não tinha?

domingo, novembro 28, 2004

Coerência

Nada como uma boa dose de coerência para que uma pessoa ganhe respeito pelos seus pares. Prezo bastante a coerência de uma pessoa no que concerne aos seus ideias e opções de vida. O que não prezo é ver um "comunista" a falar de sua ideologia e a comentar quanto é que ganhou de dividendos com as acções de empresas privatizadas, há um mínimo. De facto, pessoas assim existem bastantes e de vários quadrantes mas chateiam, prefiro vinte jovens com cabelinho pelos olhos do PP a um "comunista" de garganta, incoerente, a pregar a sua suposta ideologia e a viver de forma completamente oposta aos ideias que este prega. Neste caso, os jovens do PP, ganham apenas pela coerência e por ficarem caladinhos à minha beira para não estragarem muito o ambiente.

sábado, novembro 27, 2004

Noite de Fados

Nada como fazer valer velhas tradições, ou em alternativa, criar novas tradições. Foi o que aconteçeu ontem algures no Portugal Profundo onde eu estive. Cantar fado com sotaque brasileiro e bossa nova com sotaque português produz uma noite muito divertida se acompanhada com uns valentes copos e uma lareira. A Brigada de Trânsito é que ia estragando a festa mas lá se passou a barricada, pagando a portagem com um fadinho cantado com sotaque brasileiro.


Parecem bandos dji Arara, à solta
Os moleques, os moleques....

Tive mais sorte do que juízo, parece-me.

sexta-feira, novembro 26, 2004

Emigração

À muitos anos atrás ouvi de pessoas naturais de países onde se verificava uma onda de emigração bastante significativa, comentários xenófobos e racistas. Anos mais tarde, e como a vida dá voltas estranhas, oiço hoje em dia os mesmos comentários de compatriotas meus, ipsis verbis. É estranho ver como as afirmações e expressões xenófobas são similares por entre os vários países europeus, inclusive, Portugal. Sempre tive em conta que os Portugueses, genericamente, eram tolerantes em relação aos estrangeiros, mas aprendi que isso verifica-se em relação aos estrangeiros que estão de passagem. Não descobri a pólvora, aliás, a nossa história é rica em episódios de tolerância perante outros povos e também, o reverso da medalha. É necessário termos em conta que também fomos emigrantes, e somos ainda, noutros países e lá passámos as passas do Algarve.
O fenómeno da xenofobia é como que um trigger shot para expiação dos males de um país, ou seja, é mais fácil inculcar as culpas, seja lá do que for, no outro, o desconhecido, do que nos apontarmos na equação. De alguma forma, é humano e animalesco ao mesmo tempo daí, atendendo ao facto de estarmos num ponto civilizacional tão avançado, ou pelo menos, presumimos que sim, estes actos, animalescos, já não têm razão de ser. Os emigrantes são uma mais valia para qualquer país se as autoridades desse país souberem tirar proveito disso.
Durante muito tempo foi-nos incutida a noção de país, nação num espaço físico e concreto, estanque. Hoje em dia, com o advento da comunicação, os países são as respectivas culturas e as pessoas que vestem e representam essa cultura, como tal, somos, quer queiramos quer não, cidadãos do mundo.

A cauda da Europa

Ouvi na rádio que efectuaram um estudo a 900 crianças pela Europa inteira e descobriram que os Portugueses são os que menos prendas recebem no Natal. Muito bem, descobriram a pólvora! Atendendo ao facto que Portugal ocupa a cauda da Europa, o que é que eles esperavam? Milagres?
Esta história de Portugal ocupar a cauda da Europa leva-me a pensar em que animais estavam a pensar quando meteram Portugal na cauda. Será um peixe? Se for um peixe estamos tramados porque de um lado o urso (Rússia) come do outro a águia pega (EUA).

quinta-feira, novembro 25, 2004

Artigo 527

Hoje aprendi mais uma particulariedade do sistema eleitoral Norte-Americano. Existe um artigo, o 527, da Lei eleitoral Norte - Americana que prevê, por haver um vazio legal, que seja possível que um determinado grupo de cidadãos possa, inpunemente, enviar mensagens para os Media tecendo considerações acerca dos candidatos de uma eleição qualquer. Assim, e segundo o referido artigo, é possível que um grupo de cidadãos emita um spot na televisão a dizer que o candidato x cheira mal da boca. O curioso desta situação é que os referidos grupos podem ser financiados indiscriminadamente pois, estes grupos, não são abrangidos pela Lei de financiamentos dos partidos políticos e como tal, the sky is the limit. O único do limite que existe para a utilização deste artigo é o facto de não ser permitido com este artigo fazer pressão para votar ou não votar num determinado candidato.
Os Estados Unidos são um contrasenso em termos no que respeita a Democracia, se é que existe mesmo por lá. Concerteza que este artigo foi publicado numa altura, que não a nossa, em que deveria haver o mínimo de elegância e até mesmo um interesse em debater projectos políticos e ideias base para a governação de um país. Na actualidade, o projecto político de cada candidato é dispensável, o que interessa, segundo o eleitorado norte-americano, é o candidato e a sua religião.
Parece algo distante mas é importante verificar que, um país como o Estados Unidos, com uma posição global hegemónica, não consegue, nem sabe viver em democracia, havendo até um déficit democrático naquele país. O mais grave é que este tÊm o maior e mais bem apetrechado exército do mundo e andam por aí a dar lições de democracia, aliás, quanto às lições de democracia, os Estados Unidos, parecem aqueles alunos cábulas que não estudaram para o exame então começam a mandar uns bitaites a ver conseguem que alguém, inadvertidamente, lhes dê algumas pistas para o que querem saber sem perguntar directamente ou admitir que não vêem um boi da questão.

Plano

A minha amiga Daniela enviou-me um mail com uma ideia genial, não de sua autoria mas não deixa de ser uma boa ideia. Na minha óptica, esta é a via mais fácil para nos livrarmo-nos de Alberto João Jardim, já que a Sibéria não é nossa e as rendas são um balúrdio.

Eis o plano:
Passo 1: Trocamos a Madeira pela Galiza, têm que levar o Alberto João Jardim .
Passo 2: Os galegos são uma boa onda, não dão chatices e ainda ficamos com o dinheiro gerado pela Zara (é só a 3ª maior empresa de vestuário). A industria têxtil portuguesa é revitalizada. A Espanha fica encurralada pelos Bascos e Alberto João Jardim .
Passo 3: Desesperados os espanhóis tentam devolver a Madeira (e Alberto joão). A malta não aceita.
Passo 4: Oferecem também o Pais Basco. A malta mantém-se firme e não aceita.
Passo 5: A Catalunha aproveita a confusão para pedir a independência. Cada vez mais desesperados os espanhóis oferecem-nos: a Madeira, País Basco e Catalunha. A contrapartida é termos que ficar com o Alberto João e os Etarras. A malta arma-se em difícil mas aceita.
Passo 6: Dá-se a independência ao País Basco, a contrapartida é eles ficarem com o Alberto João. A malta da Eta pensa que pode bem com ele e aceita sem hesitar. Sem o Alberto João a Madeira torna-se um paraíso. A Catalunha não causa problemas (no fundo no fundo, são mansos).
Passo 7: Afinal a Eta não aguenta com o Alberto João, que entretanto assume o poder. O País Basco pede para se tornar território português. A malta aceita (apesar de estar lá o Alberto João).
Passo 8: No País Basco não há carnaval. O Alberto João emigra para o Brasil...
Passo 9: O Governo brasileiro pede para voltar a ser território português. A malta aceita e manda o Alberto João para a Madeira.
Passo 10: Com os jogadores brasileiros mais os portugueses (e apesar do Alberto João) Portugal torna-se campeão do mundo de futebol! Alberto João enfraquecido pelos festejos do carnaval na Madeira e Brasil, não aguenta a emoção e zás batea sola. Passo 11: E todos viveram felizes para sempre!

quarta-feira, novembro 24, 2004

Caixa de cores

A geometria estava feita, os lugares ocupados e os ângulos com a esquadria perfeita. Tudo tinha que estar assim, e eu era o fulcro, o ponto central. À medida que observava os lugares e quem os ocupava, ou o que os ocupava, vi cores, várias, e de repente senti-me no meio de uma roda que começava a girar. Girava com cada vez mais ímpeto. As cores começavam a fundir-se numa só cor, desafiando o pantón, era escuro. Senti-me cada vez cercado, roda apertava mais e mais, perdi a horizontalidade, a verticalidade parecia-me um porto seguro cada vez mais. Numa última esperança, olhei para cima contava com o tecto mas este não estava lá. Eis a minha fuga mas o ar é demasiado rarefeito para degrau de escada. Subi qualquer das vias apoiado em algo que não um degrau. Apercebi depois que para subir não é imprescindível um degrau, afinal quando lá fui parar não desci escadas algumas. Já cá fora, a caixa das cores era minúscula e rodopiava na mesma, o meu corpo um gigante e ri-me, afinal era uma caixa do caleidoscópio mágico, as cores eram isso mesmo cores.
Por vezes os problemas são caixinhas pequenas, nós é que nos sentimos atraídos para cair nelas.

terça-feira, novembro 23, 2004

Estatura média dos Portugueses

Apesar de não ser um adepto fervoroso das estatísticas por estas encerrarem alguns problemas de base, como a pura e simples manipulação de resultados ou recolha de dados deficiente e até mesmo a escolha de amostra que poderá ser insuficiente para um dado universo ou simplesmente esse amostra não é, por assim dizer, o espelho de um dado universo. No entanto, terei que baixar o cepticismo e olhar aos resultados de algumas estatísticas e tomar em conta os valores. A Organização Mundial de Saúde desenvolveu um estudo acerca dos cuidados médicos prestados à população e uma das variáveis do estudo era a influência que esses cuidados médicos tiveram na estatura média de uma determinada população. Os resultados para Portugal mostraram, mais uma vez, que somos dos povos mais baixos da Europa, o que em si não é grave. Grave é analisar os resultados e ver o evoluir da curva ao longo dos anos e nas diversas zonas do país.
Os nados, do sexo masculino, desde 1965 até 2001 foram analisados através de estatísticas fornecidas pelo Exército Português, vulgo inspecções, e mostraram uma evolução em termos de estatura média dos portugueses de geração para geração. De facto, os portugueses estão cada vez mais altos à medida que os cuidados de saúde e alimentação vão melhorando. Qualquer das vias, o estudo revela particularidades interessantes que nos revelam o Portugal profundo. As zonas do Litoral são aquelas que registam as maiores subidas médias de estatura e também registam um maior número de sujeitos incluídos nas classes mais altas. No interior, sendo do Distrito de Castelo Branco o mais destacado, é onde se verificam as menores subidas da estatura média, com excepção a Santarém que regista uma das maiores subidas de estatura média no espectro das províncias do Interior e do país também. Outro aspecto inquietante sobre este estudo indica que a subida média de estatura de 1993 para cá tem vindo a subir com cada vez com menor intensidade, o que revela que há cada vez mais deficiências no sistema de saúde e na alimentação, fruto talvez de uma maior taxa de desemprego geracional, ou seja, os despedimentos verificados na indústria do Litoral e que visou, em especial, os trabalhadores menos qualificados e na casa dos quarenta anos, afectou o rendimento familiar e a alimentação. A Madeira lidera a tabela com a estatura mais baixa do país e também com o maior índice de taxa de mortalidade, o que nos faz concluir que alcatrão e hotéis não são alimentos muito nutritivos e que potenciem a elevação da estatura das crianças.
Em suma, cada vez mais, e não é só de agora, existem dois países dentro do mesmo território, o Litoral e o Interior. Dá a sensação que há portugueses de primeira e portugueses de segunda, e essa diferença agudiza-se cada vez mais. Preocupa-me um pouco, não por complexos com a altura até porque, pessoalmente, estou acima da média registada a nível nacional que é de 1,73 cm, mas porque, a estatura média, é o reflexo de um sistema de saúde que se detiora a olhos vistos. Curioso foi ver nos jornais e na televisão a apresentação dos resultados a nível nacional, fazendo crer que foi uma grande conquista a nível nacional. Como podem verificar, não foi para todos, e a estatísticas têm destas coisas. Se eu comer um frango e tu que lês não comeres nada, estatisticamente, nós os dois comemos meio frango mas tu passaste fome. Dá que pensar.

Vamos à bola.

O Luís Filipe Vieira, também conhecido por Kadhafi dos pneus, foi falar com o Ministro-Adjunto acerca do estado actual do Futebol Português. Entre vários temas relacionados com o futebol, falou acerca da arbitragem e levou alguns vídeos do jogo Benfica – Porto. É estranho, mas possível, somente neste país, que um dirigente de um clube, seja lá qual for, tenha a possibilidade de falar com um Ministro mas, e atendendo ao desgoverno que temos, faz todo o sentido. Nas eleições que levaram Durão Barroso, o então presidente do Benfica, expressou todo o seu apoio à candidatura de Durão Barroso, actualmente, Luís Filipe Vieira foi conversar com o Ministro-Adjunto acerca do futebol e de mais o quê? Apoio para as próximas eleições? Em jeito de contra-ofensiva, Pinto da Costa disse que iria levar alguns vídeos para o presidente Putin, pelo sim pelo não. Este país de república das bananas só lhe falta as penas porque de resto é, concerteza, um exemplo cabal disso. O Presidente do Sporting fala sempre no sistema e no sistema e no sistema e mais sistema, no final, não se percebe bem que sistema é esse ou se é que existe esse sistema ou senão serão vários sistemas. Entretanto, o país vai andando com questões de fundo por resolver mas o que interessa é a bola.
Este episódio abriu um precedente importante que é o facto de quem quer que seja ter a hípotese de falar com um ministro acerca dos mais idiotas temas que lhes passarem na cabeça. No ano passado o Ferroviários foi roubado, em casa, por um árbitro caseiro de Mação. Estou a aguardar uma audiência com o ministro-adjunto e o Papa.

segunda-feira, novembro 22, 2004

Vítimas da PIDE

Tenho dito que cada post que eu escrevo tem a intenção de partilhar ideias minhas e de também beber de algumas ideias que partilham comigo através dos comentários. Desta feita, como de diversas vezes, ocorreu uma partilha bastante positiva que fez com que eu escrevesse este post. No post “ Guerra�, o sêpa torta, levantou uma questão bastante pertinente que é a questão das indemnizações às vítimas da PIDE. Ora, essa questão, devo confessar, passou-me da alembradura mas, graças ao Sêpa Torta, lembrei-me dela. Num ano em que o Paulo Portas anuncia os complementos de reforma aos ex-combatentes, sob o pretexto de um acto de justiça que, até é um acto de justiça mas não o suficiente, no entanto, isso é outra questão que se pode desenvolver noutro post. Eis que ficam por complementar as vítimas da PIDE. De facto, a lógica de Paulo Portas, é a de premiar os nobres guerreiros patriotas que defenderam o Império Português Ultramarino e não de indemnizar toda uma geração que viu a sua vida em perigo numa guerra sem sentido. Esta lógica prevê que as vítimas da PIDE, aqueles que viveram encarcerados durante anos por “crimes� de liberdade, não são contemplados com qualquer tipo de compensação, nem tão pouco são tidos como complementáveis, pois, esses são arruaceiros atentatórios da boa moral e da Santa Madre Igreja, são arruaceiros e comunistas, vermelhuscos, pensa Paulo Portas quase de certeza. É um ponto de honra para a reconciliação nacional que, estes neo-fascistas, tenham a coragem de admitir que erraram, apesar de isso ser o mesmo que lhes pedir para arrancar um dente a sangue frio. Quantos jovens portugueses durante o regime fascista viram a suas vidas em perigo e a sua liberdade privada por advogar os ideais de liberdade? É justo que se lembrem disso e que a nossa geração e as vindouras não se esqueçam desses jovens que lutaram para que hoje em dia haja a libertar de votar apesar, e segundo o Presidente da República, isso causar “instabilidade governativa�.

sábado, novembro 20, 2004

Viagens

Nunca visitei a RDA enquanto país independente e separado da RFA, no entanto, numa ocasião, tive a oportunidade de passar por Duisburg, na Ex-RDA, numa viagem atribulada que fiz de comboio de Hannover ( norte da Alemanha) até Eindhoven na Holanda. Comigo viajava um amigo meu africano e passámos por várias cidades alemães da parte ocidental e também da parte oriental. A viagem começara na estação de Hannover e dois estrangeiros, um branco e um negro, sentavam-se nos respectivos lugares marcados do comboio. A primeira sensação que tive foi a de ser observado por curiosidade e também por avaliação de uma possível ameaça que eu e o meu amigo poderiam constituir a alguns passageiros mas apesar de tudo a viagem foi cordial. Fizemos um transbordo na cidade da Ex-RDA, Duisburg, lá aguardaríamos por um outro comboio que nos levaria até Venlo na Holanda. Chegados à estação de Duisburg, aterrámos completamente num cenário de pura decadência que, por muito que fosse contra o esperado de um país como a Alemanha, excedeu as expectativas. O cheiro nauseabundo, as pessoas cabisbaixas que se arrastavam pela estação, os emigrantes Turcos e Coreanos, pintavam o cenário de uma cidade da Revolução Industrial, negra, deprimente. O comboio que deveríamos apanhar estava a escassos metros de nós mas, por falta de comunicação, vimos este partir sem nos apercebêssemos que aquele comboio que partia, se o tivéssemos apanhado, nos iria privar da experiência que tivemos nessa noite. Tivemos que aguardar das 2 da manhã até às 4 da manhã por outro comboio que nos levasse até à Holanda. Entretanto, fomos a um Bar da estação, lá a fauna era muito interessante. A meretriz, o alcoólico, o desempregado, o emigrante que esperava o começo de um novo turno de trabalhos forçados por devoção ao Euro, compunham uma atmosfera interessante. Ninguém falava mas os olhos e as expressões diziam tudo. É incrível ver como, num país como a Alemanha as expressões daqueles mais oprimidos numa qualquer sociedade, são tão idênticos aos que eu conheço no meu país. A opressão, parece-me, não tem feições definidas, ou melhor, tem feições iguais em quase todos os países. As conversas, as perguntas, o olhar é exactamente igual àquele que eu conheço daqui, apesar da cultura ser muito diferente. O ser humano tem uma unidade expressiva universal, só mesmo nas cidades mais abastadas é que eu vi o quanto diferentes são os alemães e também, em como em certos aspectos eles não diferem muito de nós, pelo menos alguns.
O meu ideal de turismo não é propriamente a visita a lugares históricos, aliás, estes só podem ser desfrutados quando conhecemos bem quem os construiu.

sexta-feira, novembro 19, 2004

Referendar ou que é difícil referendar

Já mencionei aqui a preocupação que tenho acerca da Nova Constituição Europeia que, ao contrário do que muita gente possa pensar, vai afectar directamente o desenrolar das coisas no nosso País. A referida Constituição foi elaborada pelos Conservadores de Direita, com a conivência dos sociais democratas ( partidos socialistas entenda-se, nada de confusões com laranjas liberais) e prevê a perca de autonomia por um lado e a preocupação latente em fazer valer o quadro de valores sociais de uma Europa de cariz judaico-cristão. Nada contra o judaísmo nem o cristianismo, apenas contra a forma de entender o cristianismo mais propriamente que, ao fazer valer os velhos e seculares valores tradicionais da família e da boa moral, irão agudizar ou manter presentes muitos dos preconceitos retrógrados vigentes na sociedade actual. O Buttilione, é um exemplo do género de estadistas que está na base da redacção da Nova Constituição, e estes textos deveriam ser revistos ou pura e simplesmente, criar um novo texto para a constituição, laico e separado do poder religioso. Isso, de acordo com o texto da nova constituição, não irá acontecer, aliás, o Vaticano já se pronunciou acerca da ténue referência que o texto da nova constituição faz aos valores cristãos tão tipicamente europeus, o que é estranho, e mais estranho ainda foi a redacção feita mencionando então, a pedido do Vaticano, os velhos e seculares valores da boa moral cristã.
A suposta perca de autonomia é-me relativa até certo ponto, o que não me é relativo é o sistema de votação escolhido pela Nova Constituição Europeia que prevê que países, como Portugal, tenham cada vez menos peso nas decisões tomadas pois, cada país, terá um peso de voto constante no número de habitantes. É evidente que Portugal e outros países mais pequenos vão estar lá a encher pneus.
Por fim, em cada país será efectuado um referendo acerca da Nova Constituição Europeia, o que já de si é um problema pois a forma como irá ser colocada a questão(ões) será de difícil concepção. Este post no grupo do pato ilustra bem a dificuldade que será escolher bem o conteúdo das perguntas do referendo.

De passita em passita

Os malefícios do tabaco toda a gente conhece e a preocupação que as autoridades sanitárias ou de saúde têm no combate ao tabagismo, através da prevenção, é de salutar. No entanto, como em quase tudo na vida há o reverso da medalha. Se o Estado está tão preocupado com os malefícios do tabagismo, por que é que cobra impostos da venda do tabaco? Porque é que o Estado tem uma empresa nacional de Tabaco? Estarão a lucrar com os malefícios que o tabaco provoca aos contribuintes?
Parece-me que hoje em dia a “perseguição� que existe aos fumadores é tanta que poder-se-á antever que futuramente um fumador terá que andar na rua com um guizo como se fazia antigamente com os leprosos. Creio que esta história toda está impregnada de uma lógica batatal, mas também sou suspeito pois fumo. Seguindo a lógica batatal das autoridades, se o tabaco faz mal e é lícito cobrar impostos aos fumadores, legalize-se as drogas também e cobre-se impostos também não?!
Outra coisa que me faz impressão, a mim mesmo são as campanhas anti-tabagistas como é exemplo daquela que dizia que beijar uma mulher que fuma é o mesmo que lamber um cinzeiro. Olhe que não, olhe que não! Para mais, e nunca esquecendo os malefícios que o tabaco traz, fumar um cigarro é um acto sublime, enaltecedor e potenciador do mais intenso prazer. Pessoalmente, não me arrependo de alguns cigarros que fumo durante o dia e noite, e que me dão um substancial prazer, os outros que fumo entretanto é que constituiem o problema. para quem não sabe, porque não fuma, um cigarro enquanto enviamos um fax para a China via Nova Iorque, dá um prazer do caraças. Um cigarro após uma cambalhota, dá um prazer enorme, o problema, como já disse, são os outros cigarros que fumamos entretanto e que são puro vício. Como disse mário cesariny, não há nada como chegar à beira de precipício e cair verticalmetne no vício.

quinta-feira, novembro 18, 2004

Guerra

As imagens divulgadas na televisão mostrando um soldado Norte-Americano a alvejar, mortalmente, um iraquiano ferido, chocou muita gente. No entanto, isso não é chocante se formos a analisar a questão a fundo. A lógica da guerra, se é que esta existe, ou se existe é num campo metafísico onde tudo, mas mesmo tudo, é relativo, prevê este tipo de acções como legítima. É como se nos despíssemos de todos os valores que norteiam uma qualquer sociedade e nos atirássemos de cabeça nas mais básicas e cruéis leis da sobrevivência onde partilhamos uma espécie de esquizofrenia “inteligível� onde o conflito entre a personalidade de predador e da de presa se confundem num só autómato que cumpre as regras impostas por outros e tenta sobreviver. Não sei o que passou na cabeça daquele soldado Norte-Americano quando alvejou o outro soldado iraquiano mas, quase de certeza, não produziu qualquer tipo de pensamento inteligível, apenas funcionou, eliminou o que poderia ser uma ameaça. Não pretendo desculpabilizar o acto cometido pelo soldado Norte-Americano mas sim tentar ver como é possível e quão imprevisível é um ser humano quando colocado numa situação extrema de stress.
Numa situação de guerra as nossas acções futuras são imprevisíveis, nunca saberemos até onde poderemos ir, ou o que seremos capazes de fazer, é animalesco. A responsabilidade maior nestas situações é de quem faz a guerra, de quem a promove, quem a executa, salvas as excepções, funciona e tenta sobreviver como pode, exponenciando tudo o que de bom e mau tem, é mais forte do que cada um.
O cérebro humano funciona a 27 % , mais ou menos, de sua capacidade, o resto é ocupado pelo subconsciente que, por si, é um mundo de gravações efectuadas ao longo da vida. Por vezes, em sonhos, é-nos revelado medo, ânsia, desejos e outras sensações. Acordamos pensando que é um sonho ou que é algo irreal mas, por vezes, não é. Na cabeça de cada um daqueles que actualmente vivem no meio da guerra do Iraque, ficaram com o seu subconsciente gravado com mais episódios medos, ânsias e coisas boas muito poucas. Quem ordena ou promove a guerra, geralmente, não é sujeito a estas gravações sequer.
Em Portugal, apesar de insistentemente ser ocultado ou ignorado, temos ainda muitos casos de ex-combatentes com sintomas de stress de guerra. Nada é documentado, nem são mostrados o ex-combatentes ainda internados no Hospital Militar com complicações graves do foro psicológico que vegetam desde o dia em que foram desmobilizados e já lá vão mais de trinta anos em alguns casos. Dá-se, a uma geração sacrificada, 150 Euros por mês, pelos anos perdidos de suas vidas naquela guerra sem sentido.
Não inventei nada de novo com este post eu sei, nem quis reinventar aqui a roda, no entanto, acho muito importante relembrar sempre isto. Numa altura em que se fala tanto em questões de segurança e a necessidade de ver as forças armadas apetrechadas com meios bélicos capazes de neutralizar essa “ameaça�, a verdadeira ameaça continua a existir no provocar ou não da guerra. As políticas externas utilizadas pelos diversos países, onde incluo Portugal, infelizmente, dão azo a que essa lógica animal da guerra floresça e ganhe força. É um animal que se deve ter enjaulado mas não ignorado, a guerra, não é uma entidade externa à condição humana, como não é o ódio, faz parte de cada um de nós mas temos que ter consciência disso e saber enfrentar esse problema.

Natal

Já se vê o Natal a aproximar-se, as televisões inundam-se de anúncios a bonecas, soldadinhos e outros brinquedos para fazer as delícias da criançada. E os adultos? Não têm direito também a ter uma época do ano em que podem escrever uma cartinha ao Pai Natal e pedir um brinquedo ou qualquer outra coisa. Eu já escrevi a minha cartinha e voçês? já escreveram?


ah pois é!

Se na semana passada apetecia-me comer laranjas e dar saltos de meio metro, esta semana, apetece-me trepar aos postes e apalpar as canecas.

quarta-feira, novembro 17, 2004

PCP e Hollywood

O partido comunista português deixou-se encantar pelas produções fantásticas e futurísticas de Hollywood. Vão fazer o Jurassic park IV e já têm em vista um dinossauro, o Jerónimo de Sousa. Resta saber quem serão os próximos dinossauros a serem contratados para esta mega-produção.

Vamos a votos!

Já que o Presidente da República não nos concedeu o direito ao voto, no Raminhos, o presidente indigitado e aclamado, Oliveirinha, decidiu dar a possibilidade, a todos aqueles que visitam o Raminhos, de votarem no elenco desgovernativo do país. Espero não ter que me demitir à conta desta sondagem if you know what i mean?!

O bicho papão

Que o desgoverno copie e leve à práctica a forma de fazer política dos Republicanos é certo mas, há limites apesar de tudo. A Direita Conservadora Norte-America sempre soube utilizar com mestria a noção de insegurança para mover a opinião pública em torno da noção de pátria e sua defesa, férrea, e incondicional. No caso deste desgoverno, a última notícia que leva a crer que Portugal será um alvo potencial de grupos terroristas é levar a política e o jogo sujo da Direita Conservadora Norte-Americana a um extremo.
Tudo começou com um comentarista da mesma cor do desgoverno a criticá-los, e estes, a sanearem-no. Depois foi a Direcção de informação da RTP, da mesma cor política do desgoverno, a ser amavelmente colocada na posição de ter que se demitir. Agora vem a história do Terrorismo e sua ameaça velada sobre o país. Dá-me a impressão, aliás, é quase uma certeza que, a notícia de uma suposta ameaça terrorista a Durão Barroso não é mais do que, primeiro, ocupar o tempo de antena e desviar as atenções e também, em segundo lugar, a criação de mais um argumento para a desgovernação. Foi feita uma asneira pelo desgoverno, a culpa, é do terrorismo está-se mesmo a ver. Parece a história do bicho papão, ou seja, tenham medo, tenham muito medo que o bicho papão anda aí, o terrorismo, mas o desgoverno está aí para dar cabo dele.
Estou muito farto de toda esta chafurdice, desta forma de estar na vida, deste rame rame doentio a que este país está mergulhado à muito tempo. Basta!

terça-feira, novembro 16, 2004

Há lá coisas

Esta história de ter contadores tem uma certa piada. Imagine-se que um(a) madura qualquer veio cá parar ao tasco colocando num motor de pesquisa a seguinte frase: " jovem a fod..um cavalo", pois devo dizer que por cá o cavalo de serviço está na Golegã a acompanhar a festividades dessa Vila e para o efeito só com marcação prévia. De resto, este post vaiser uma autêntica manta de retalhos, a Direcção de Informação da RTP, demitiu-se a propósito de, ao que se alvitra por aí, um soquette da contra-informação acerca de um Presidente banana e de um ogre verdusco português. Parece que houve censura no passado Domingo mas, devo dizer que, e segundo o saudosissímo Marcelo Caetano, nada que interesse ao povo português lhe será omitido. Como vêem não há censura em Portugal mas sim, dando seguimento ao infame discurso do tal presidente Banana, continuidade da estabilidade governativa. É necessário não maçar muito o desgoverno com críticas, apesar de pertinentes, pois isso só atrapalha as asneiras, digo, o trabalho, do executivo.
Não posso deixar de estar contente com o clube do meu coração, o Sporting, deu uma cabazada, á moda antiga, aos desgraçados do Boavista. É lindo!

segunda-feira, novembro 15, 2004

Mais uma noite, mais uma emoção

O ambiente estava agradável, a lareira acesa e as castanhas a assar. A conversa lá ia entre um bitaite e um outro sem problemas de maior. Alguém partilhou com os demais que estava a frequentar um curso de gás, nada de mais mas, eis que, o referido moçoilo é interpelado com a seguinte exclamação: “ Então para distribuir bilhas de gás é preciso tirar um curso? Ou será um curso para aprender a ajeitar a bilha?� pois bem, o formando corou e daí para a frente tornou-se alvo fácil de uma e outra piada alusiva ao tema, Bilha e suas variantes. Mais tarde a noite presenteou-me com um grupo de moçoilas muito sonoras e etílicamente muitíssimo bem dispostas, entretanto, as castanhas que já estavam ao lume, passaram da fase da assadura para a da carbonização sem que os demais se apercebessem disso. As moçoilas, entretanto, com um sentido de timming impressionante, começaram a borrifar-se com perfume em quantidades industriais, deixando uma atmosfera com um agradável aroma de castanhas carbonizadas e perfume daquele que se vende ao litro. Para arrematar a noite, só faltava um comentário absurdo, a tempo corrigido pelo próprio felizmente, fazendo alusão ao estado deplorável das coisas neste país como tendo por base nos emigrantes que, segundo o individuo, estavam a esbadanar o país todo. Como podem ver a noite é um mistério, e nesta noite só faltava um anão e a mulher com barbas a cantarem o fado ao desafio.
Nota, se pretenderem uma noite divertida do estilo twilightzone, contactem-me que consigo juntar estas personagens todas e fazer espectáculos pelo país inteiro e quiçá estrangeiro dependente do caché.

domingo, novembro 14, 2004

What´s the big idea?

Qual é a ideia de transmitirem em directo o Congresso do PSD e não transmitirem, por exemplo, um espectáculo do Circo Cardinalli? O Circo Cardinalli não tem palhaços tão bons quanto o PSD é certo mas tem, por exemplo, tigres e leões. As piadas dos palhaços do PSD são mais giras e ditas com muita mestria é certo mas no Circo Cardinalli, os palhaços, também dizem umas piadas giras.
O Halloween foi na semana passada, porque é que o Pedro Santana Lopes disse este fim de semana que precisa de 10 anos de governação? É um trick or treat? Bolas deixem-nos em paz, assustados já estamos nós com alguns meses de governação do PSL.

sexta-feira, novembro 12, 2004

Eco-moment

Não posso deixar de registar o meu encanto ao ter visto ontem o programa acerca do Lobo Ibérico na RTP 1. Infelizmente, em Portugal, quando se pensa em ecologia, esqueçe-se da biodiversidade, e os Lobos, acerca de 300 resistentes estão em perigo. Lembro-me uma vez estar 3 horas deitado no chão, imóvel, para poder fotografar uma ave muito rara, o Noitibó, uma ave insectívora que está em vias de extinção em Portugal. O programa de ontem à noita acerca dos Lobos foi filmado durante 2 anos e acreditem que é muito difícil conseguir filmagens e fotografias de animais tão esquivos e raros. É de louvar o trabalho desenvolvido pelos dois jornalistas e de fazer um apelo para que, filmagens como as que foram feitas aos Lobos da Serra da Peneda do Gerês, continuem e se entendam para outras zonas e outras espécies animais em perigo no nosso território. A ecologia vai muito mais além de Pooddles e gatinhos em feiras de animais de estimação.

Hoje

Hoje só me apeteçe comer laranjas e dar saltos de meio metro, o que vale é que é sexta-feira e amanhã fim de semana.

Fungagá da Bicharada

O Conselho de Ministros deslocou-se até Bragança para fazer mais um tour pelo Interior negligenciado sem que, no entanto, se tenha esquecido de dar uns rebuçadinhos aos populares anunciando a construção de mais uma catrefada de estradas, de início à borla, mais tarde a pagar como já foi anunciado a outras estradas portuguesas. Entretanto, a Júdite Sousa fez um debate com o ministro sombra de Sócrates para as Finanças, pensei que a Judite era jornalista, afinal não, é mais uma deputada do PSD ao que parece pela forma, férrea, como defendeu o Estado da Nação com os mesmos argumentos que o Desgoverno nos tenta impingir todos os dias. Do outro lado da barricada, Paulo Portas, convidou um general norte-americano na reforma para falar acerca de Segurança. Nada de mais até saber, como é óbvio, que quem pagou a conferência foi o Zé contribuinte.
Assim se vai andando ou desandando neste país de brincadeira, tudo está a ser abafado, tudo foi acalmado até nos esquecermos das asneiradas do desgoverno.

quarta-feira, novembro 10, 2004

Curiosidades

Na via Romana que ligava Olissípono a Bracara Augusta, havia uma estalagem com mudas de cavalos para todos os viajantes que circulavam por essa via. Essa estalagem era propriedade de uma galega, com o tempo, o pequeno povoado que circundava a estalagem foi sendo conhecido por A da Galega. Mais tarde, e com o evoluir da língua portuguesa, esse povoado passou de A da Galega para Golegã.
Uma das imagens que temos do Ribatejo são os campinos com o seu traje típico composto por um barrete verde e vermelho. Nem sempre foi assim, no tempo da Monarquia, os campinos estavam ao serviço das quatro casa reais do Ribatejo, e o seu barrete era, como era a bandeira da casa real, azul e branco. Quanto à dança, o Fandango, típicamente, esta também era dançada por mulheres mas, por imposição da Igreja, foi proibida às mulheres porque estas, ao dançarem, expunham muito as partes fudengas ( ipsis verbis de acordo com os escritos).
Mais uma curiosidade, na terminologia tauromáquica, não é correcto dizer-se que se vai a uma tourada mas sim, a uma corrida de toiros. Tourada é apenas uma grande confusão de gente.
Todos conhecem o Corridinho como dança típica do Algarve, no entanto, a tradição foi criada numa ocasião, pelo Ministro da Cultura de Olveira Salazar, o António Ferro que, numa ocasião de um festival de danças populares, viu o seu escrupuloso plano de actuações dos vários grupos falhar. Supostamente, todos os grupos teriam 15 minutos de actuação mas por um atraso em algumas actuações, o grupo vindo do Algarve, que era o último a entrar em palco, viu o seu tempo de actuação reduzido para 5 minutos. Nesta situação o Ministro António Ferro foi aos bastidores falar com o grupo Algarvio para que estes fossem actuar em apenas 5 minutos, ao que, um dos elementos lhe respondeu dizendo que não seria possível a não ser que fosse a correr. O Ministro António Ferro respondeu imediatamente que teria que ser assim esmo, a correr, e assim nasçeu o corridinho do Algarve.

Ritual

O dia da morte de alguém é apenas mais um dia na vida dessa pessoa, no entanto, para Arafat, esse dia pareçe muito atribulado. O chocante para mim é o facto de Arafat, após a sua morte, não puder ser sepultado na terra pela qual luta durante tanto tempo, a Palestina. Ao que parece, o Governo Israelita não autoriza a sepultura na mesquita sagrada de Jerusalém. A ironia do destino, Arafat viveu sempre exilado e mesmo depois de morto permanecerá exilado.

terça-feira, novembro 09, 2004

Very complicayte if u know what i mean

Pois é isto ultimamente tem andando um pouco complicado, no entanto, não posso deixar de escrever, por muito pouco que seja, sem ser qualquer coisa só por escrever. Não é essa a minha intenção, aliás, escrevo agora que cheguei ao meu cantinho por não ter tido tempo antes de fazer uma pausa. Dou por mim a pensar em algumas palavras que meu avô me disse, enquanto vivo, acerca da vida. É uma luta constante, propícia em sobressaltos e peripécias como todos nós sabemos à medida que vamos navegando nela. O dinheiro apenas vale aquilo que nós quisermos dar por ele, nada mais e apenas isso por muito mais prestações que tenhamos a dever ao Banco.
Os meus antepassados viviam sem as condições que nós, actualmente, nos apropriámos sem saber realmente o quanto foi duro para as obter, às anteriores gerações é claro, no entanto, vivemos a vida como se tudo, ou a vida, fosse chocolate. Foi isso mesmo que me recordei hoje, meu avô um dia, pragmático como era, disse-me um dia : Netinho, a vida não é chocolate, por vezes é amarga mas não te esqueças do docinho que provaste e adoça-a sempre que puderes, é o melhor que levas desta vida.
Ao meu avô Raul Bento Lima a minha homenagem, bem hajas avô.

segunda-feira, novembro 08, 2004

Calma estranha

Isto tem estado demasiado calmo para o meu gosto. Fazendo jus ao ditado que diz que quando a esmola é grande o santo desconfia, o silêncio do desgoverno, esta súbita acalmia é muito estranha. Entretanto, na surdina, Lá vai a Câmara Municipal de Lisboa pagar uma fortuna a um arquitecto americano para "requalificar" o Parque Mayer. Mas requalificação é que um americano pode fazer de uma zona típicamente portuguesa? Vai lá pôr drive-in´s? Casinos? mas não foi supostamente rejeitada a proposta de abrir lá um casino? Cheira-me que alguém anda a fazer pela vidinha e não é da forma mais convencional!
Por vezes tenho fim de semanas a atirar para a twilightzone e este último não foi excepção. Desde os tipos com o chapelinho á caçador na cabeça e um maduro, vestido a rigor, traje ribatejano entenda-se, a fazer pontaria à mesa onde eu estava com a cabeça de cada vez que caía com tamanha bebedeira que levava naquela cabeça. Evitei ir para a feira da golegã para não ter que levar com estas cenas mas mesmo assim pareçe que tenho um iman qualquer que atraí estas personagens.

sexta-feira, novembro 05, 2004

Ninhou

Mindríco

Só os charales do Ninhou é que jordavam na piação. Os covanos não penetram na piação à modeia.

Português

O calão Mindríco é o liguajar típico das pessoas naturais de Minde.

Mindríco

Não sejam do Zé Bonito e apoiem-nos, em nome dos nossos ladinos, a não deixar a piação dos charales cair no Galdino.

Português

Por favor, deixem-nos fazê-lo e apoiem esta iniciativa, em nome dos nossos filhos, de tentar que o calão Minderico não caía em esquecimento.

Esta é uma das muitas pérolas que o Ribatejo tem para oferecer a todos aqueles que vierem visitar o Ribatejo.

Fusca Nova ( boa noite)

Aproxima-se a passos largos

"Setembro é o teu mês homem da tarde, ninguém morreu mas tudo treme já" excerto de um poema de Ruy Belo

Não é mais setembro nem ninguém vai morrer, no entanto, aproxima-se a passos largos a Feira do Cavalo na Golegã. Mais um ano, mais uma feira das vaidades e das caganças falando curto e grosso como deve ser por estas bandas. Todos os anos chegam hordas de Ribatejanos de Cascais e do Estoril com os chapéus de caçador, botas de lavrador e indumentária de cavaleiro a cheirar a naftalina. É engraçado ver o pessoal vestido à Ribatejano a falar com o sotaque lisboeta, parto o côco a rir, aliás, partia até deixar de ter paciência para ver tamanha feira de vaidades.
De resto, a feira, até é engraçada para quem gostar de fazer gincana por entre as bostas de cavalo e os cavalos propriamente ditos. Para quem aprecia a espécie equídea , na feira, poderá vislumbrar belos exemplares de quatro e duas patas .

Chinês ou quase

Hoje fui até ao Concelho de Ferreira do Zêzere com dois cromos difíceis, ambos pedreiros, para ver se é possível reconstruir uma casa velha, a cair de madura. Até aqui nada de novo, nem tão pouco digno de registo, a não ser os termos utilizados misturados com a pronúncia marcada do Ribatejo. Entre a cumieira, o lantel e mais uma dúzia de termos específicos dos pedreiros, os tipos só me perguntavam: Tá a abranger ou kei? E eu nada de nada, mas abanava a cabeça qualquer das vias. O que se aproveitou foi mesmo o almoço, entrecosto grelhado com migas e, como não podia deixar de ser, vinhaça daquela de carregar pelo cano, até estala! diziam eles e eu dizia que sim, e não é que estalava mesmo?! O melhor do interior é a generosidade e a genuídade das pessoas, brutas que nem uma porta mas com um coração do tamanho do mundo. No final, perguntaram-me pelos calipos, ou melhor, o que era para se fazer dos calipos. Eu, na minha inocência quando ouvi a palavra calipos pensei no verão e em gelados e disse que isso só no verão. Mais tarde percebi que eles estavam a falar dos eucaliptos.

quarta-feira, novembro 03, 2004

O triunfo dos porcos

A possibilidade, infelizmente, cada vez mais real da re-eleição de Bush suscita-me um estado de choque que só me faz dizer isto:













Speechless!

terça-feira, novembro 02, 2004

O livro proibido

Em Viseu um livreiro foi intimado a retirar da montra de sua livraria um livro intitulado “ As mulheres não gostam de foder�. Nada mais idiota que isto não poderia acontecer senão vejamos o campo das hipóteses, várias, que se oferecem a este caso.

Decisão correcta de intimar a retirada do livro da montra:

  1. Porque é mentira e os livros não devem propagar mentiras. As mulheres também gostam de foder.
  2. Uma montra de uma livraria não deve ser o local de expiação das frustrações de um qualquer livreiro. Daí, se as mulheres não gostam de foder, isso só se verifica com o livreiro, ou seja, as mulheres não gostam de foder….com o livreiro.

Decisão Incorrecta de intimar a retirada do livro da montra:

  1. Se as mulheres realmente não gostam de foder, então, o reconhecimento do problema é o primeiro passo para a reabilitação, ou seja, pode ser que comecem a gostar do bom que tem a vida. Daí, o livro tem um papel inestimável de conciliação conjugal, debelando um problema que origina muitos divórcios e viagens a Bragança.
  2. Tem que se ter cuidado com a linguagem, não que as mulheres não gostem de foder, pelo contrário, elas gostam mas não é para se dizer assim às bandeiras despregadas.

Isto é como em tudo na vida, a linguagem é muito importante e para cada aspecto da vida há diferentes linguagens. Se perguntarmos a um político como é que este vai resolver um determinado problema, este, nunca diz que não faz a mínima ideia, diz antes que se está a estudar bem o dossier.

P.S: Só um pormenor, com estes fod...todos, aclientela vai ser jeitosa vai?!

É hoje que se vai decidir muita coisa, ou Kerry ou desesperem

É hoje que se vai ficar a saber quem é que irá ganhar as eleições nos Estados Unidos e, por estranho que possa parecer a alguns, este episódio que se está a desenrolar hoje nos Estados Unidos, tem influência no nosso país e no mundo. Sinceramente, não vejo em Kerry uma melhoria tão substancial como muitos apregoam, no entanto, pior que George Bush não poderá ser concerteza. O mundo actualmente está a viver um momento de viragem em que, e ao contrário do que muitos conservadores pretendem, temos que alterar radicalmente muita da política económica e social que fazemos actualmente. O petróleo vai escasseando à medida que é engolido cada vez mais pelos países em todo o mundo. A noção de um planeta com recursos inesgotáveis está cada vez mais a revelar-se impossível e irrealista.
Não sei porque é que penso assim mas, temo ainda, que Bush ganhe as eleições, incendiando ainda mais o cenário internacional de conflitos e atentados terroristas. O Iraque transformou-se, como Espanha no início do século passado com Guerra Civil Espanhola, num viveiro de ideais radicais, alimentados pelos Estados Unidos e a sua política neo-colonialista, como reacção à imposição de uma ocupação militar e política do Iraque. A China vive actualmente um período de apogeu económico consubstanciado pela oferta de mão-de-obra mal paga e em alguns casos, escrava. O que acontecerá quando os trabalhadores chineses se aperceberem que o sonho é um pesadelo, que os bens materiais que as sociedades ocidentais proporcionam não são mais do que rebuçados amargos.
Por cá como será o futuro do país? Cada vez se produz menos, cada vez mais a classe política merece menos credibilidade e o futuro? Qual será o futuro? Se não formos nós, o povo, a pegar neste país e a esquecermos de vez as velhas formas de estar na vida herdadas pelo anterior regime fascista, não teremos um futuro muito risonho. Qualquer das vias nem tudo é mau por cá, assim como assim além de haver gente que passa fome, ainda há muita gente que come. Creio, no entanto que, a apatia que se vive no país em torno dos políticos da praça, vai trazer frutos no futuro, as pessoas estão mais críticas e as acções que antigamente passavam sem qualquer resistência, actualmente, vão passando cada vez mais com relutância e resistência. Pode ser que estejamos no caminho certo. A malta mais novinha de agora ( pareço um cota a falar mas enfim) está revoltada mas sem ideias.
Conversa de sábado à noite com um jovem de lenço à Arafat no pescoço:

Jovem: ó pá esta cena tas ver tá bués da mal memo, tas a ver.
Oliveirinha: Sim está mal mas porque é que está mal? O que pensas acerca disso?
Jovem: é pá não sei tas a ver tá buéda mal e quê!
Oliveirinha: Ok já disseste isso mas o que achas que está mal? O que farias se pudesses mudar alguma coisa?
Jovem: É pá tas a ver não sei mas tá buédamal esta cena toda pá! Um gajo…..é pá nã dá tas a ver?!
Oliveirinha: Não, não estou a ver népia!

Entretanto conversei com um puto que é filho do dono de um café onde a malta do oliveirinha se reunia e conversava, e o jovem dizia-me que hoje em dia parece que não há comunicação, as pessoas vivem isoladas numa ilha qualquer que construíram nos seus meios de comunicação virtuais e não falam, não discutem ideias, nada. Isto fez-me pensar numa série de coisas, fazendo qualquer das vias uma ressalva dizendo que, apesar de tudo, poderíamos nós na altura não ter ideias muito melhores que as dos demais, no entanto, tínhamos algumas e pensávamos nas coisas, produzia-se algo. Hoje em dia o importante é ser bonito e galante, não há mais formas de se compor uma estante.