quinta-feira, fevereiro 08, 2007

Autonomia do Poder Local

O conceito teórico da Autonomia e descentralização do poder é um conceito que, na teoria, funciona mas que, na práctica, deixa muito a desejar. A vontade de fazer e a noção de que um bom serviço autárquico é sinónimo de betão dá em coisas impressionantes. A vontade de alguns empreiteiros em construir de qualquer maneira em qualquer sítio com a conivência de quem está no Poder Autárquico resulta neste quadro bonito que vos mostro.

A grua está estacionada em cima do passeio que foi construído em cima da Ribeira de Santa Catarina na Cidade do Entroncamento. Felizmente não houve vítimas.





Mais um fenómeno do Entroncamento digamos assim.

segunda-feira, fevereiro 05, 2007

O meu voto no próximo referendo

Acerca do Aborto já ouvi demasiadas atrocidades e, regra geral, as discussões fogem da questão central e essencial. Antes de revelar a minha posição acerca deste referendo devo salientar que, antes demais, sou partidário da Liberdade de expressão e pensamento, inclusivamente, e isso é que é essencial, das opiniões contrárias. Quero sublinhar que respeito as convições pessoais e religiosas de cada um e faço-o porque acredito com muita convicção na Liberdade. Não quero, nem vou, discutir se há vida ou não até às 10 semanas de gestação porque essa questão é, e como sou um adepto fervoroso da Liberdade, do foro íntimo de cada um que, com o seu referencial moral, julga cque há ou não vida. Isto é inabalável, é sólido como uma rocha, e como tal, a minha decisão acerca do referendo assenta sobre a Liberdade mais do que tentar discutir questão íntimas do foro moral de cada um. Nessa medida, acredito e quero para o meu país uma sociedade que é tolerante e acima de tudo, uma sociedade que se dá ao respeito por quem a compõe, os cidadãos. Nesta medida, votar numa opção que não restringa a liberdade de pensar e ter um quadro referencial moral diferente de outros é uma questão emergente, urgente e imprescindível para uma sociedade civilizada. Votar Não é estar a impôr em outrém, através da figura do Estado com os seus meios, o Código Penal, a referência moral destes sob os demais que, livremente, têem o direito de pensar de outra forma. Se há quem julgue que interromper a gravidez é tirar uma vida independentemente de estar na décima semana ou não, é lícito concerteza pensar que é assim como convicção moral própria e não como uma certeza inabalável e transversal a todas as diferentes consciências. O que não é lícito é impingir esse referencial moral a quem, no seu direito consagrado na Constituição, tem o direito de pensar o contrário. Acredito que seja complicado perceber como será possível que alguém tome como hipótese a realização de um aborto, para mim é também, mas o que a mim é pacífico é o facto de eu ter a obrigação moral de aceitar que há algures alguém que, em consciência, pense de uma forma diferente mas que, acima de tudo, tem o direito de seguir em consciência o exercício de uma opção, que não é fácil, com dignidade e sem colocar em risco de vida a mulher. Porque é que voto SIM apesar de nunca colocar como possível a realização de um aborto a uma companheira minha? Porque uma questão de coerência e de Liberdade. Não posso continuar a enterrar a cabeça na areia e fingir que não acontece, mesmo que, não haja pena efectiva em caso de aborto porque, e numa questão de coerência, se é de subtracção de vida que se trata, então, o quadro penal deveria ser outro, sejam coerentes!!! Essencialmente tenho o dever de respeitar quem, em consciência, tenha uma opinião diferente porque, poderei discordar mas nunca poderei criminalizar alguém por ter uma opinião diferente da minha. Não consigo sequer expressar a angústia que sinto por ver pessoas a esgrimirem argumentos em favor do Não com recurso a chantagem emocional e a demagogia. Estamos, com este referendo, a falar acerca da despenalização da interrupção voluntária da gravidez até às 10 semanas,que quer dizer dizer liberalização. Não podemos pensar que pelo facto d haver a despenalização que irá haver uma correria aos hospitais para abortar porque não haverá. O que haverá são desmanchos como sempre existiram e existirão mas com recurso a condições higiénicas e de segurança condignas da condição humana.

Quanto à Igreja Católica, que não os façam e que usem o que têem entre as pernas para procriar apenas e sigam as palavras do vosso Papa. Quanto ao resto estejam calados e respietem quem tem uma opinião contrária porque respeitamos a Igreja Católica apesar de todos os males que já nos provocaram.

Quanto à recente proposta dos desnorteados partidários do Não, pareceu-me haver um certo desnorte, de substituir as penas de prisão por serviço comunitário, devo dizer quer, dizer-se que uma lei deverá continuar porque ninguém a aplica e quando a aplica é para estigmatizar quem cometeu a infracção é ridículo e desrespeitante da condição humana.

Quanto ao Basquetebolista frustrado e actual Lider do PSD quando diz que este referendo não deverá ser partidarizado, este, deverá ter mais cuidado com os anúncios de campanha da responsabilidade do PSD na rádio indicando que é preservando a vida é que se resolve a questão do Aborto. Idiota chapado, sim o mesmo que votou a actual pergunta e que vem agora com fait-divers acerca da pergunta!!!

Por último, concordo com os partidários do Voto Não quando dizem que a despenalização per si não irá resolver a questão do aborto. O que não conseguem compreender é que a despenalização do aborto é um passo que deverá ser acompanhado de outros passos e não, como pretendem os partidários do Não, continuar a enfiar a cabeça na areia feito avestruz e fingir que nada aconteçe mantendo a actual Lei que permite o aborto clandestino sem condições e lucrativo para algumas clínicas em Portugal, diga-se em abono da verdade. Por falar em serviço comunitário, a todos os padres que já, em confessionário, impingiram a urgência de um aborto clandestino a jovens moças salváveis das chamas eternas do Inferno, não há serviço comunitário que os valha.


Eu voto SIM!!!

terça-feira, janeiro 30, 2007

Abortar

Vou abortar, para já, a minha opinião já formulada acerca da Despenalização da interrupção voluntária da gravidez até às 10 semanas. Não porque o assunto me incomode mas sim porque ontem assisti a mais um espectáculo vergonhoso de manipulação televisiva em prol da Direita Católica. Não que o programa tenha pouca importância mas apenas porque, pesando os prós e os contras, não pretendo dar demasiada importância ao que foi dito nesse programa especialmente ao joguete da apresentadora que, mais uma vez, não foi imparcial.

sexta-feira, janeiro 26, 2007

Confiança

A propósito de confiança, por vezes sou presenteado com conversas muito tête a tête em que uma moçoila qualquer me diz que deseja encontrar um Homem que lhe inspire confiança. Ora, propósito disso devo dizer o seguinte: Conto de fadas e o mito do Pai Natal ponho-os no mesmo saco da fantasia que tinha toda a sua razão de ser quando éramos miúdos. Actualmente, esse saco e essa reserva de fantasia desvaneceram naquilo que poderemos chamar a realidade. Isto vem a propósito de uma conversa e de algumas que tive com algumas mulheres que conheço ou conheci. Não há ninguém neste mundo que consiga conferir a necessária e indispensável confiança própria, essa, a confiança própria, tal como o nome indica, é conquistada por nós dia após dia. Sozinhos ou com a ajuda de especialistas poderemos viver perfeitamente, salvo algumas excepções mais graves, com os nosso medos e ansiedades e, acima de tudo, ter a capacidade, que é digamos assim treinada, de nos motivarmo-nos e encarar os desafios de peito aberto. Assim digo o mesmo que já disse a uma amiga minha a jeito de proposta acerca desta matéria . Que tal encontrarem essa confiança própria que induz a tal segurança, e depois encontrar alguém com quem partilhar isso? Esta proposta tem a vantagem de evitar desilusões, divórcios e violência familiar. Não consigo perceber essas mulheres que têem a fraca ideia que ser-se independente é ter um emprego somente. Como é que uma pessoa pode ser independente se, ela própria, cria relações de dependência em relação a outra pessoa? Vivemos ainda numa sociedade machista e as mulheres ainda não compreenderam que deverão buscar essa confiança elas próprias salvo as excepções felizmente que as há.
Já agora um desabafo, se não tateu deveria ir para Padre, não sei porquê mas elas gostam de se "confessar" comigo.....hum.....parem!!! malandragem já a levar tudo para a maldade.

quarta-feira, janeiro 24, 2007

Porquê

O Porquê é sempre a pedra toque para a criação novas ideias ou considerações acerca de algo ou alguém. Todavia, e apesar do constante porquê que temos na vida, este apesar de conservar o mesmo desfecho poderá ter aqui e ali novos contributos. Um exemplo flagrante disso é o Porquê de eu não ser do Benfica. Não quero com isto generalizar dizendo que os benfiquistas são más pessoas apenas têem mau gosto só isso e, para além disso, têm alguns espécimens estranhos.

Não tenho nada contra hermofroditas e outros espécimens exóticos da fauna humana mas faço deste a excepção por isso aqui vai motivo nº 1 para eu não ser do Benfica:


Quanto ao mau gosto dos Benfiquistas devo dizer que sim senhor cor de rosa também é bonito, a mala é gira, o chapéu estilo Rainha Isabel II também não é mau mas esse blush é que não!!! Um Pêssegozinho ainda vá lá agora vermelho bahhhh!!!!

segunda-feira, janeiro 22, 2007

Houston

Houston!! This is space shuttle Oliveirinha we have a landed on the surface of the moon!!!


Está entregue yupieeee!!!!!

domingo, janeiro 21, 2007

Alívio

Não calculam, ou talvez sim, o alívio que é ver a conclusão de um projecto grande, trabalhoso e difícil de concretizar. Durante todo o tempo que passei a fazer o trabalho a minha vida ficou numa espécie de bolha do tempo mas não esquecida. Tal como idealizei a primeira fase está concluída e a minha vida vai desenrolar de uma forma diferente.
Tomei como resolução a renuncia a muitos aspectos desta sociedade manicaísta, retrógada e de consumo imediato e, acima de tudo, virar-me para quem está comigo de uma forma mais próxima e dedicar-me a essas pessoas. Como tal, de ora avante muitas coisas vão mudar inclusivamente aqui.

quarta-feira, janeiro 17, 2007

Acordo ortográfico à Oliveirinha

Nestes últimos tempos tenho estado muito atarefado de volta de um trabalho que estou a fazeracerca de uma Tipografia no âmbito da Segurança, Higiene e Saúde no Trabalho e devo dizer que estou farto, já não aguento mais ler ou ouvir palavras como:

  • Tipografia
  • Tinta
  • Offset
  • Gráfica
  • Impressão
  • Contaminação Química
Enfim, com o novo acordo ortográfico à Oliveirinha, estas palavras deixaram de existir, não as quero ouvir mais. Portanto, quando estiverem ao pé de mim evitem dizer ou escrever estas palavras ok?!

quinta-feira, janeiro 11, 2007

Está estacionado na linha número dois do Norte o comboio....

Lembro-me do homem que trabalhava no bar da estação de caminhos de ferro do Entroncamento. Conhecia quem conduzia as locomotivas pelo apito característico que cada um dos máquinistas tinha, bem como, pela sonoridade do apito conseguia dizer qual era a locomotiva: “ Olha vem aí o Feliciano com a Santa Apolónia, vai fazer a linha da Beira Baixa!”. Esse homem adoeçeu e o seu percurso é triste devido à doença grave que contraíu mas não é propriamente disso que quero falar. É do Bar da estação do Entroncamento que quero falar que já não tem operários com a marmita, tem agora, militares, funcionários públicos, gente do sector terciário, desculpem-me mas não é a mesma coisa, essa não é a gente que preenche a minha memória das vezes que ia a Lisboa. Quando chegava ao Bar havia a conversa de quem tinha as mãos encarcilhadas pelo ferro e a solda de mil comboios arranjados, agora, todos pegam a sua chávena de café e viram costas ao bar em direcção à televisão em silêncio. Este não é o meu Bar defenitivamente. A cidade tem os mesmos autocarros cor de laranja e as pessoas a fugirem por entre as pedras da calçada desviando-se de olhares. Só eu é que adicionei mais uns centímetros e agora vejo as coisas de outra perspectiva. Esperei pela viagem de regresso e escolhi de propósito o comboio da Beira Baixa mas já não havia os velhotes com os intermináveis sacos, as encomendas lá para a terra e o perfume das suas conversas. Enfim, há outras coisas.

sexta-feira, janeiro 05, 2007

Parabéns

Já disse aqui que não sou adepto de homenagens e que não as faço. Na vida há sempre excepções e desta feita faço-a a uma pessoa muito especial para mim. A Homenagem que quero fazer é ao meu querido Tio João Lima que hoje completaria 65 anos de idade não fosse a sua partida precoce.

Parábens Tio!!! O Che está bem e em boas mãos!!!

João de Sousa de Lima nascido a 05 de Janeiro de 1941, o J para os amigos.

sexta-feira, dezembro 29, 2006

Premonições

Nunca fui de premonições mas devo confessar que este ano faço uma excepção. Tenho um presentimento que 2007 será um ano muito positivo, pelo menos, atendendo ao meu entusiasmo, será concerteza um excelente ano. Deixo desta forma os meus votos de um Feliz Ano Novo e que este seja para vós o mesmo que está a ser para mim, uma fonte de grande espectativa e entusiasmo.


Votos de um Feliz Ano Novo de 2007!!!

terça-feira, dezembro 19, 2006

Mérito a quem mereçe

Todos os Natais é a mesma coisa. O Pai Natal a receber todos os louros desta quadra festiva, ao passo que, quem realmente trabalha para esta quadra festiva fica sempre de lado. Não posso deixar de lado este ano o devido reconhecimento ao Rudolfo, a rena de nariz vermelho, que puxa o trenó e que, sem a qual, os presentes não seriam distribuídos.


O que não sabem é o que o Pai Natal, o gordo, faz enquanto os outros trabalham.

Ah pois é!!!


segunda-feira, dezembro 18, 2006

Por estes dias

Por estes dias vou estar muito ocupado a fazer um trabalho sobre a indústria Gráfica no âmbito da aplicação de políticas de Higiene e Segurança no Trabalho. Para o efeito nada como tentar conhecer o “inimigo”, neste caso a indústria gráfica Portuguesa, para tentar perceber qual o modus vivendi e modus faciendi dos trabalhadores e do patronato. Numa pesquisa prévia que fiz cheguei à conclusão que, a profissão de tipógrafo, é tida como um ofício, um ofício-propriedade, em que o saber-fazer pesa de uma forma determinante na medida em que o ofício leva anos a aprender e uma vez aprendido, o tipógrafo, tem autonomia para o desenrolar do seu trabalho diário sendo usual ver patrões a trabalharem lado a lado com os operários. Até aqui tudo bem mas eis que chega a parte que me pôs de pé atrás. Num estudo a que tive acesso vem descrito o seguinte:

Em 1943, a reprodução profissional desta indústria enquanto indústria familiar constava da Lei. Tratava-se de um contrato colectivo que previa, em igualdade de circunstâncias, o privilégio da admissão a filhos, netos, sobrinhos em 1º grau dos industriais e operários gráficos.

Até aqui ainda não está mau mas eis que vem a parte pior anos mais tarde e ainda no Regime Fascista. Para além da preferência ser dada aos familiares, agora os trabalhadores do “sindicato”, vulgo homens de inteira confiança do regime, terem a prioridade na contratação por parte das gráficas para evitar que os “estranhos” invadissem o ramo. Ora bem, estou a ver que ainda vou ter que fazer uma revolução na indústria gráfica.

Meus caros um Feliz Natal e vemo-nos depois de eu estripar estes homens do “sindicato” fora da indústria gráfica. Vitória ou muerte !!!

domingo, dezembro 10, 2006

Apanhado em Flagrante



Digamos assim, se fosse eu não faltaria polícia com cães e helicopteros, agora, como é o gordo das barbas brancas A.K.A. Pai Natal, já não há problema algum. O Mundo está cheio de injustiças!

terça-feira, dezembro 05, 2006

Pai Natal

Ensinar a uma criancinha que se portar-se bem durante o ano terá muitas prendas dadas pelo Pai Natal é, antes demais, falacioso e incrementador de uma injustiça social que se tende a enraizar cada vez mais. Vejamos então o porquê da questão: Se a criançola em questão é filha de pais ricos esta, independentemente de ter sido boazinha ou não, terá sempre mais prendas que a criançola filha de pais que ganham o Salário Mínimo Nacional que este ano fala-se que poderá atingir a meta dos 400 euros, ena ena que benção. Nisto a argumentação não é pedagógica nem deverá ser continuada, ou seja, o que prentendemos dizer com a história contada desta forma é que as crianças mais abastadas serão sempre melhorzinhas que as crianças pobres em virtude destas não terem dinheiro e como tal terem menos presentes. Depois há outra aspecto a ter em conta e que se prende com a taxa de obesidade infantil registada no nosso país. Será o Pai Natal um bom exemplo gordo como ele é?
Questões importantes para as quais deixo duas propostas:

1 - Reverter a histórias do Pai Natal para algo parecido com o Pai Natal dar prendas aos mais desfavorecidos e os meninos ricos têem é que pedir mesmo aos paizinhos e avós os presentes.
2 - Uma cura de emagrecimento para o Pai Natal para mais este deve dar o exemplo.

Em suma, o Natal é o reunir da família e como tal deixo o desejo de uma boa reunião de família que é o mesmo que dizer FELIZ NATAL.

domingo, dezembro 03, 2006

Exercícios

Por vezes dou por mim a fazer exercícios mentais utilizando como alvo do exercício muitas situações quotiadianas com as quais me deparo. Um desses exercício prendia-se com a seguinte situação hipotética:

Se um dia um cidadão Norte-Americano chegasse à nossa fronteira e pedisse asilo político por falta de democracia no país dele e pela constante violação dos direitos humanos no seu país, eu se fosse o responsável pela emissão dos vários tipos de vistos de entrada, dar-lhe-ia de imediato. Porquê? Por causa disto e doutras coisas vejam.

De facto tenho vindo a desenvolver esta técnica migrada de um costume que eu tinha enquanto pequenote que era o de abrir o brinquedos todos para ver como funcionavam ou, pura e simplesmente, a utilizá-los fora do contexto para verificar a sua versatilidade. Apesar disso há temas que fogem a esta técnica e cuja resolução passa por uma rápida observação directa. Verificar que uma pessoa que eu conhecia com 58 anos de idade, com uma história de trabalho árduo e muita correcção, ver a sua vida a ser ceifada num espaço de dois meses por um cancro e em contrapartida ver a forma como um crápula como é o General Augusto Pinochet com 80 anos by-pass no coraçãoa agarrar-se à vida é de uma rápida conclusão só por observação directa. Parece que quem não merece vive mais tempo, ou não?!
Sou Ateu, sou desde à muito tempo, aliás, a minha história com a fé cristã cessou no segundo ano de catequismo quando me quiseram contar as mesmas histórias que me tinham contado no ano passado e, como tal, desisti e informei a minha mãe que não iria mais ligar muito aos santinhos. A minha Mãe desde sempre me compreendeu e respeitou nas decisões que tenho tomado e por isso vai uma enorme gratidão da minha parte à minha mãe católica. Nessa altura o meu catecismo era a Guerra das Estrelas exposta na montra da loja de brinquedos perto da Igreja. Nem calculam os salmos que eu imaginei com as naves e os bonecos da Guerra das Estrelas, esse sim era, na altura, o meu credo. Reescrevi a bíblia quase toda substituíndo os velhos barbudos pelo Chewbacca e restantes personagens.

quinta-feira, novembro 30, 2006

Abutres

Uma sala cheia de idosos, uns doentes outros a matarem o tempo que lhes resta e uns indivíduos de fato e gravata a pairarem à volta dos médicos é um quadro pouco saudável para quem vai a um edifício intitulado, ironicamente creio eu, de centro de saúde. Comparativamente, percebo mais facilmente a lógica do idoso que vai ao centro de saúde para matar o tempo com uma de muitas maleitas que se resumem apenas a uma enorme solidão do que a lógica de um individuo de fato e gravata, que não sendo médico, vende medicamentos a médicos. A lógica parece ser a de anunciar medicamentos das empresas farmacêuticas a médicos por indivíduos que não são médicos nem fazem a mais pálida ideia do que é que estão a vender, perdão digo, que estão a propagandear a troco de idas gratuitas e desinteressadas a congressos no Brasil ou outros destinos paradisíacos, mesmo não fazendo a mais pálida ideia do que é que estão a propagandear. Tão depressa esses delegados propagandeiam um anti-inflamatório como uma pastilha de urânio enriquecido para a tosse, a diferença está no congresso claro está. Depois há uma outra coisa que me irrita nesses tipos que é o aspecto sabujo deles, o aspecto sinuoso que eles têem com a curvatura fácil da espinha perante uma bata mesmo que por engano se verguem perante uma auxiliar que passa no corredor. As remessas são constantes e gratuitas há possibilidade de fazer as experiências que forem necessárias, as cobaias não faltam e pagam a taxa moderadora.

segunda-feira, novembro 27, 2006

Homenagens

Não gosto muito de homenagens. Parece sempre algo empacotado na altura que chega a toda a gente, a morte. Durante a vida deverá haver reconhecimentos da obra e dos feitos de cada um e não depois da morte porque, reza a hipocrisia, na hora da morte somos todos uns tipos muito porreiros e ninguém ousa dizer que o fulano que está no caixão era uma autêntica besta. O epíteto desta situação são as estátuas e ou busto que não passam de sanitários para pombos. Isto foi a título de esclarecimetno do post anterior.

domingo, novembro 26, 2006

Mário Cesariny

Homenagens chamam pombos para defecarem num busto frio e insensível. O importante é mesmo viver a obra de quem já partiu.


Em todas as ruas te encontro
Em todas as ruas te encontro
Em todas as ruas te perco
conheço tão bem o teu corpo
sonhei tanto a tua figura
que é de olhos fechados que eu ando
a limitar a tua altura
e bebo a água e sorvo o ar
que te atravessou a cintura
tanto, tão perto, tão real
que o meu corpo se transfigura
e toca o seu próprio elemento
num corpo que já não é seu
num rio que desapareceu
onde um braço teu me procura
Em todas as ruas te encontro
Em todas as ruas te perco

Mário Cesariny

sexta-feira, novembro 24, 2006

As cheias do Ribatejo, úúúhh grande coisa!!!

Para poupar as cenas dramáticas das cheias que são habituais no Ribatejo, vou postar algumas fotos tiradas hoje de tarde no cais de Vila Nova da Barquinha. Antes que venha aí o Albarran dizendo o drama, a tragédia, o horror, coloco aqui as imagens do cais que no Verão está uns 8 a 10 metros acima da linha de água mas que, nesta altura, encontra-se a centímetros do último degrau. Já agora, à malta que não é de cá, não se preocupem nós sabemos nadar e estamos habituados a estes cenários.