quarta-feira, novembro 17, 2004

Vamos a votos!

Já que o Presidente da República não nos concedeu o direito ao voto, no Raminhos, o presidente indigitado e aclamado, Oliveirinha, decidiu dar a possibilidade, a todos aqueles que visitam o Raminhos, de votarem no elenco desgovernativo do país. Espero não ter que me demitir à conta desta sondagem if you know what i mean?!

O bicho papão

Que o desgoverno copie e leve à práctica a forma de fazer política dos Republicanos é certo mas, há limites apesar de tudo. A Direita Conservadora Norte-America sempre soube utilizar com mestria a noção de insegurança para mover a opinião pública em torno da noção de pátria e sua defesa, férrea, e incondicional. No caso deste desgoverno, a última notícia que leva a crer que Portugal será um alvo potencial de grupos terroristas é levar a política e o jogo sujo da Direita Conservadora Norte-Americana a um extremo.
Tudo começou com um comentarista da mesma cor do desgoverno a criticá-los, e estes, a sanearem-no. Depois foi a Direcção de informação da RTP, da mesma cor política do desgoverno, a ser amavelmente colocada na posição de ter que se demitir. Agora vem a história do Terrorismo e sua ameaça velada sobre o país. Dá-me a impressão, aliás, é quase uma certeza que, a notícia de uma suposta ameaça terrorista a Durão Barroso não é mais do que, primeiro, ocupar o tempo de antena e desviar as atenções e também, em segundo lugar, a criação de mais um argumento para a desgovernação. Foi feita uma asneira pelo desgoverno, a culpa, é do terrorismo está-se mesmo a ver. Parece a história do bicho papão, ou seja, tenham medo, tenham muito medo que o bicho papão anda aí, o terrorismo, mas o desgoverno está aí para dar cabo dele.
Estou muito farto de toda esta chafurdice, desta forma de estar na vida, deste rame rame doentio a que este país está mergulhado à muito tempo. Basta!

terça-feira, novembro 16, 2004

Há lá coisas

Esta história de ter contadores tem uma certa piada. Imagine-se que um(a) madura qualquer veio cá parar ao tasco colocando num motor de pesquisa a seguinte frase: " jovem a fod..um cavalo", pois devo dizer que por cá o cavalo de serviço está na Golegã a acompanhar a festividades dessa Vila e para o efeito só com marcação prévia. De resto, este post vaiser uma autêntica manta de retalhos, a Direcção de Informação da RTP, demitiu-se a propósito de, ao que se alvitra por aí, um soquette da contra-informação acerca de um Presidente banana e de um ogre verdusco português. Parece que houve censura no passado Domingo mas, devo dizer que, e segundo o saudosissímo Marcelo Caetano, nada que interesse ao povo português lhe será omitido. Como vêem não há censura em Portugal mas sim, dando seguimento ao infame discurso do tal presidente Banana, continuidade da estabilidade governativa. É necessário não maçar muito o desgoverno com críticas, apesar de pertinentes, pois isso só atrapalha as asneiras, digo, o trabalho, do executivo.
Não posso deixar de estar contente com o clube do meu coração, o Sporting, deu uma cabazada, á moda antiga, aos desgraçados do Boavista. É lindo!

segunda-feira, novembro 15, 2004

Mais uma noite, mais uma emoção

O ambiente estava agradável, a lareira acesa e as castanhas a assar. A conversa lá ia entre um bitaite e um outro sem problemas de maior. Alguém partilhou com os demais que estava a frequentar um curso de gás, nada de mais mas, eis que, o referido moçoilo é interpelado com a seguinte exclamação: “ Então para distribuir bilhas de gás é preciso tirar um curso? Ou será um curso para aprender a ajeitar a bilha?� pois bem, o formando corou e daí para a frente tornou-se alvo fácil de uma e outra piada alusiva ao tema, Bilha e suas variantes. Mais tarde a noite presenteou-me com um grupo de moçoilas muito sonoras e etílicamente muitíssimo bem dispostas, entretanto, as castanhas que já estavam ao lume, passaram da fase da assadura para a da carbonização sem que os demais se apercebessem disso. As moçoilas, entretanto, com um sentido de timming impressionante, começaram a borrifar-se com perfume em quantidades industriais, deixando uma atmosfera com um agradável aroma de castanhas carbonizadas e perfume daquele que se vende ao litro. Para arrematar a noite, só faltava um comentário absurdo, a tempo corrigido pelo próprio felizmente, fazendo alusão ao estado deplorável das coisas neste país como tendo por base nos emigrantes que, segundo o individuo, estavam a esbadanar o país todo. Como podem ver a noite é um mistério, e nesta noite só faltava um anão e a mulher com barbas a cantarem o fado ao desafio.
Nota, se pretenderem uma noite divertida do estilo twilightzone, contactem-me que consigo juntar estas personagens todas e fazer espectáculos pelo país inteiro e quiçá estrangeiro dependente do caché.

domingo, novembro 14, 2004

What´s the big idea?

Qual é a ideia de transmitirem em directo o Congresso do PSD e não transmitirem, por exemplo, um espectáculo do Circo Cardinalli? O Circo Cardinalli não tem palhaços tão bons quanto o PSD é certo mas tem, por exemplo, tigres e leões. As piadas dos palhaços do PSD são mais giras e ditas com muita mestria é certo mas no Circo Cardinalli, os palhaços, também dizem umas piadas giras.
O Halloween foi na semana passada, porque é que o Pedro Santana Lopes disse este fim de semana que precisa de 10 anos de governação? É um trick or treat? Bolas deixem-nos em paz, assustados já estamos nós com alguns meses de governação do PSL.

sexta-feira, novembro 12, 2004

Eco-moment

Não posso deixar de registar o meu encanto ao ter visto ontem o programa acerca do Lobo Ibérico na RTP 1. Infelizmente, em Portugal, quando se pensa em ecologia, esqueçe-se da biodiversidade, e os Lobos, acerca de 300 resistentes estão em perigo. Lembro-me uma vez estar 3 horas deitado no chão, imóvel, para poder fotografar uma ave muito rara, o Noitibó, uma ave insectívora que está em vias de extinção em Portugal. O programa de ontem à noita acerca dos Lobos foi filmado durante 2 anos e acreditem que é muito difícil conseguir filmagens e fotografias de animais tão esquivos e raros. É de louvar o trabalho desenvolvido pelos dois jornalistas e de fazer um apelo para que, filmagens como as que foram feitas aos Lobos da Serra da Peneda do Gerês, continuem e se entendam para outras zonas e outras espécies animais em perigo no nosso território. A ecologia vai muito mais além de Pooddles e gatinhos em feiras de animais de estimação.

Hoje

Hoje só me apeteçe comer laranjas e dar saltos de meio metro, o que vale é que é sexta-feira e amanhã fim de semana.

Fungagá da Bicharada

O Conselho de Ministros deslocou-se até Bragança para fazer mais um tour pelo Interior negligenciado sem que, no entanto, se tenha esquecido de dar uns rebuçadinhos aos populares anunciando a construção de mais uma catrefada de estradas, de início à borla, mais tarde a pagar como já foi anunciado a outras estradas portuguesas. Entretanto, a Júdite Sousa fez um debate com o ministro sombra de Sócrates para as Finanças, pensei que a Judite era jornalista, afinal não, é mais uma deputada do PSD ao que parece pela forma, férrea, como defendeu o Estado da Nação com os mesmos argumentos que o Desgoverno nos tenta impingir todos os dias. Do outro lado da barricada, Paulo Portas, convidou um general norte-americano na reforma para falar acerca de Segurança. Nada de mais até saber, como é óbvio, que quem pagou a conferência foi o Zé contribuinte.
Assim se vai andando ou desandando neste país de brincadeira, tudo está a ser abafado, tudo foi acalmado até nos esquecermos das asneiradas do desgoverno.

quarta-feira, novembro 10, 2004

Curiosidades

Na via Romana que ligava Olissípono a Bracara Augusta, havia uma estalagem com mudas de cavalos para todos os viajantes que circulavam por essa via. Essa estalagem era propriedade de uma galega, com o tempo, o pequeno povoado que circundava a estalagem foi sendo conhecido por A da Galega. Mais tarde, e com o evoluir da língua portuguesa, esse povoado passou de A da Galega para Golegã.
Uma das imagens que temos do Ribatejo são os campinos com o seu traje típico composto por um barrete verde e vermelho. Nem sempre foi assim, no tempo da Monarquia, os campinos estavam ao serviço das quatro casa reais do Ribatejo, e o seu barrete era, como era a bandeira da casa real, azul e branco. Quanto à dança, o Fandango, típicamente, esta também era dançada por mulheres mas, por imposição da Igreja, foi proibida às mulheres porque estas, ao dançarem, expunham muito as partes fudengas ( ipsis verbis de acordo com os escritos).
Mais uma curiosidade, na terminologia tauromáquica, não é correcto dizer-se que se vai a uma tourada mas sim, a uma corrida de toiros. Tourada é apenas uma grande confusão de gente.
Todos conhecem o Corridinho como dança típica do Algarve, no entanto, a tradição foi criada numa ocasião, pelo Ministro da Cultura de Olveira Salazar, o António Ferro que, numa ocasião de um festival de danças populares, viu o seu escrupuloso plano de actuações dos vários grupos falhar. Supostamente, todos os grupos teriam 15 minutos de actuação mas por um atraso em algumas actuações, o grupo vindo do Algarve, que era o último a entrar em palco, viu o seu tempo de actuação reduzido para 5 minutos. Nesta situação o Ministro António Ferro foi aos bastidores falar com o grupo Algarvio para que estes fossem actuar em apenas 5 minutos, ao que, um dos elementos lhe respondeu dizendo que não seria possível a não ser que fosse a correr. O Ministro António Ferro respondeu imediatamente que teria que ser assim esmo, a correr, e assim nasçeu o corridinho do Algarve.

Ritual

O dia da morte de alguém é apenas mais um dia na vida dessa pessoa, no entanto, para Arafat, esse dia pareçe muito atribulado. O chocante para mim é o facto de Arafat, após a sua morte, não puder ser sepultado na terra pela qual luta durante tanto tempo, a Palestina. Ao que parece, o Governo Israelita não autoriza a sepultura na mesquita sagrada de Jerusalém. A ironia do destino, Arafat viveu sempre exilado e mesmo depois de morto permanecerá exilado.

terça-feira, novembro 09, 2004

Very complicayte if u know what i mean

Pois é isto ultimamente tem andando um pouco complicado, no entanto, não posso deixar de escrever, por muito pouco que seja, sem ser qualquer coisa só por escrever. Não é essa a minha intenção, aliás, escrevo agora que cheguei ao meu cantinho por não ter tido tempo antes de fazer uma pausa. Dou por mim a pensar em algumas palavras que meu avô me disse, enquanto vivo, acerca da vida. É uma luta constante, propícia em sobressaltos e peripécias como todos nós sabemos à medida que vamos navegando nela. O dinheiro apenas vale aquilo que nós quisermos dar por ele, nada mais e apenas isso por muito mais prestações que tenhamos a dever ao Banco.
Os meus antepassados viviam sem as condições que nós, actualmente, nos apropriámos sem saber realmente o quanto foi duro para as obter, às anteriores gerações é claro, no entanto, vivemos a vida como se tudo, ou a vida, fosse chocolate. Foi isso mesmo que me recordei hoje, meu avô um dia, pragmático como era, disse-me um dia : Netinho, a vida não é chocolate, por vezes é amarga mas não te esqueças do docinho que provaste e adoça-a sempre que puderes, é o melhor que levas desta vida.
Ao meu avô Raul Bento Lima a minha homenagem, bem hajas avô.

segunda-feira, novembro 08, 2004

Calma estranha

Isto tem estado demasiado calmo para o meu gosto. Fazendo jus ao ditado que diz que quando a esmola é grande o santo desconfia, o silêncio do desgoverno, esta súbita acalmia é muito estranha. Entretanto, na surdina, Lá vai a Câmara Municipal de Lisboa pagar uma fortuna a um arquitecto americano para "requalificar" o Parque Mayer. Mas requalificação é que um americano pode fazer de uma zona típicamente portuguesa? Vai lá pôr drive-in´s? Casinos? mas não foi supostamente rejeitada a proposta de abrir lá um casino? Cheira-me que alguém anda a fazer pela vidinha e não é da forma mais convencional!
Por vezes tenho fim de semanas a atirar para a twilightzone e este último não foi excepção. Desde os tipos com o chapelinho á caçador na cabeça e um maduro, vestido a rigor, traje ribatejano entenda-se, a fazer pontaria à mesa onde eu estava com a cabeça de cada vez que caía com tamanha bebedeira que levava naquela cabeça. Evitei ir para a feira da golegã para não ter que levar com estas cenas mas mesmo assim pareçe que tenho um iman qualquer que atraí estas personagens.

sexta-feira, novembro 05, 2004

Ninhou

Mindríco

Só os charales do Ninhou é que jordavam na piação. Os covanos não penetram na piação à modeia.

Português

O calão Mindríco é o liguajar típico das pessoas naturais de Minde.

Mindríco

Não sejam do Zé Bonito e apoiem-nos, em nome dos nossos ladinos, a não deixar a piação dos charales cair no Galdino.

Português

Por favor, deixem-nos fazê-lo e apoiem esta iniciativa, em nome dos nossos filhos, de tentar que o calão Minderico não caía em esquecimento.

Esta é uma das muitas pérolas que o Ribatejo tem para oferecer a todos aqueles que vierem visitar o Ribatejo.

Fusca Nova ( boa noite)

Aproxima-se a passos largos

"Setembro é o teu mês homem da tarde, ninguém morreu mas tudo treme já" excerto de um poema de Ruy Belo

Não é mais setembro nem ninguém vai morrer, no entanto, aproxima-se a passos largos a Feira do Cavalo na Golegã. Mais um ano, mais uma feira das vaidades e das caganças falando curto e grosso como deve ser por estas bandas. Todos os anos chegam hordas de Ribatejanos de Cascais e do Estoril com os chapéus de caçador, botas de lavrador e indumentária de cavaleiro a cheirar a naftalina. É engraçado ver o pessoal vestido à Ribatejano a falar com o sotaque lisboeta, parto o côco a rir, aliás, partia até deixar de ter paciência para ver tamanha feira de vaidades.
De resto, a feira, até é engraçada para quem gostar de fazer gincana por entre as bostas de cavalo e os cavalos propriamente ditos. Para quem aprecia a espécie equídea , na feira, poderá vislumbrar belos exemplares de quatro e duas patas .

Chinês ou quase

Hoje fui até ao Concelho de Ferreira do Zêzere com dois cromos difíceis, ambos pedreiros, para ver se é possível reconstruir uma casa velha, a cair de madura. Até aqui nada de novo, nem tão pouco digno de registo, a não ser os termos utilizados misturados com a pronúncia marcada do Ribatejo. Entre a cumieira, o lantel e mais uma dúzia de termos específicos dos pedreiros, os tipos só me perguntavam: Tá a abranger ou kei? E eu nada de nada, mas abanava a cabeça qualquer das vias. O que se aproveitou foi mesmo o almoço, entrecosto grelhado com migas e, como não podia deixar de ser, vinhaça daquela de carregar pelo cano, até estala! diziam eles e eu dizia que sim, e não é que estalava mesmo?! O melhor do interior é a generosidade e a genuídade das pessoas, brutas que nem uma porta mas com um coração do tamanho do mundo. No final, perguntaram-me pelos calipos, ou melhor, o que era para se fazer dos calipos. Eu, na minha inocência quando ouvi a palavra calipos pensei no verão e em gelados e disse que isso só no verão. Mais tarde percebi que eles estavam a falar dos eucaliptos.

quarta-feira, novembro 03, 2004

O triunfo dos porcos

A possibilidade, infelizmente, cada vez mais real da re-eleição de Bush suscita-me um estado de choque que só me faz dizer isto:













Speechless!

terça-feira, novembro 02, 2004

O livro proibido

Em Viseu um livreiro foi intimado a retirar da montra de sua livraria um livro intitulado “ As mulheres não gostam de foder�. Nada mais idiota que isto não poderia acontecer senão vejamos o campo das hipóteses, várias, que se oferecem a este caso.

Decisão correcta de intimar a retirada do livro da montra:

  1. Porque é mentira e os livros não devem propagar mentiras. As mulheres também gostam de foder.
  2. Uma montra de uma livraria não deve ser o local de expiação das frustrações de um qualquer livreiro. Daí, se as mulheres não gostam de foder, isso só se verifica com o livreiro, ou seja, as mulheres não gostam de foder….com o livreiro.

Decisão Incorrecta de intimar a retirada do livro da montra:

  1. Se as mulheres realmente não gostam de foder, então, o reconhecimento do problema é o primeiro passo para a reabilitação, ou seja, pode ser que comecem a gostar do bom que tem a vida. Daí, o livro tem um papel inestimável de conciliação conjugal, debelando um problema que origina muitos divórcios e viagens a Bragança.
  2. Tem que se ter cuidado com a linguagem, não que as mulheres não gostem de foder, pelo contrário, elas gostam mas não é para se dizer assim às bandeiras despregadas.

Isto é como em tudo na vida, a linguagem é muito importante e para cada aspecto da vida há diferentes linguagens. Se perguntarmos a um político como é que este vai resolver um determinado problema, este, nunca diz que não faz a mínima ideia, diz antes que se está a estudar bem o dossier.

P.S: Só um pormenor, com estes fod...todos, aclientela vai ser jeitosa vai?!

É hoje que se vai decidir muita coisa, ou Kerry ou desesperem

É hoje que se vai ficar a saber quem é que irá ganhar as eleições nos Estados Unidos e, por estranho que possa parecer a alguns, este episódio que se está a desenrolar hoje nos Estados Unidos, tem influência no nosso país e no mundo. Sinceramente, não vejo em Kerry uma melhoria tão substancial como muitos apregoam, no entanto, pior que George Bush não poderá ser concerteza. O mundo actualmente está a viver um momento de viragem em que, e ao contrário do que muitos conservadores pretendem, temos que alterar radicalmente muita da política económica e social que fazemos actualmente. O petróleo vai escasseando à medida que é engolido cada vez mais pelos países em todo o mundo. A noção de um planeta com recursos inesgotáveis está cada vez mais a revelar-se impossível e irrealista.
Não sei porque é que penso assim mas, temo ainda, que Bush ganhe as eleições, incendiando ainda mais o cenário internacional de conflitos e atentados terroristas. O Iraque transformou-se, como Espanha no início do século passado com Guerra Civil Espanhola, num viveiro de ideais radicais, alimentados pelos Estados Unidos e a sua política neo-colonialista, como reacção à imposição de uma ocupação militar e política do Iraque. A China vive actualmente um período de apogeu económico consubstanciado pela oferta de mão-de-obra mal paga e em alguns casos, escrava. O que acontecerá quando os trabalhadores chineses se aperceberem que o sonho é um pesadelo, que os bens materiais que as sociedades ocidentais proporcionam não são mais do que rebuçados amargos.
Por cá como será o futuro do país? Cada vez se produz menos, cada vez mais a classe política merece menos credibilidade e o futuro? Qual será o futuro? Se não formos nós, o povo, a pegar neste país e a esquecermos de vez as velhas formas de estar na vida herdadas pelo anterior regime fascista, não teremos um futuro muito risonho. Qualquer das vias nem tudo é mau por cá, assim como assim além de haver gente que passa fome, ainda há muita gente que come. Creio, no entanto que, a apatia que se vive no país em torno dos políticos da praça, vai trazer frutos no futuro, as pessoas estão mais críticas e as acções que antigamente passavam sem qualquer resistência, actualmente, vão passando cada vez mais com relutância e resistência. Pode ser que estejamos no caminho certo. A malta mais novinha de agora ( pareço um cota a falar mas enfim) está revoltada mas sem ideias.
Conversa de sábado à noite com um jovem de lenço à Arafat no pescoço:

Jovem: ó pá esta cena tas ver tá bués da mal memo, tas a ver.
Oliveirinha: Sim está mal mas porque é que está mal? O que pensas acerca disso?
Jovem: é pá não sei tas a ver tá buéda mal e quê!
Oliveirinha: Ok já disseste isso mas o que achas que está mal? O que farias se pudesses mudar alguma coisa?
Jovem: É pá tas a ver não sei mas tá buédamal esta cena toda pá! Um gajo…..é pá nã dá tas a ver?!
Oliveirinha: Não, não estou a ver népia!

Entretanto conversei com um puto que é filho do dono de um café onde a malta do oliveirinha se reunia e conversava, e o jovem dizia-me que hoje em dia parece que não há comunicação, as pessoas vivem isoladas numa ilha qualquer que construíram nos seus meios de comunicação virtuais e não falam, não discutem ideias, nada. Isto fez-me pensar numa série de coisas, fazendo qualquer das vias uma ressalva dizendo que, apesar de tudo, poderíamos nós na altura não ter ideias muito melhores que as dos demais, no entanto, tínhamos algumas e pensávamos nas coisas, produzia-se algo. Hoje em dia o importante é ser bonito e galante, não há mais formas de se compor uma estante.

sexta-feira, outubro 29, 2004

Halloween

Hoje os senhores da Caixa Geral de Depósitos foram todos brincar ao Halloween para pregar um susto ao Governo. Ao que parece, quem pregou o primeiro susto, foi o Governo quando anunciou a passagem do dinheiro dos descontos dos funcionários da CGD do fundo nacional de pensões para a Caixa de Aposentações, agora os senhores da CGD estão a fazer greve para ver pregam um susto ao Governo. Nas televisões, ou não fosse o governo que mandasse, ainda não apareceu nada acerca da greve e o susto que os senhores da CGD pretendiam pregar ao Governo reflectiu-se directamente nos clientes da CGD.
No meu tempo de cachopo, como se diz na minha terra, andávamos aos bolinhos e os adultos andavam ocupados com a abertura dos pipos de água-pé. � noite faziam-se um serão com muitas broas de batata doce, abóbora e grão e, como não podia deixar de ser, muita água pé e castanhas. Bons tempos aqueles que agora são substituídos pelo Halloween. Não consigo perceber esta história desta aculturação idiota por parte dos portugueses em torno de uma festividade que, apesar de tudo, é idêntica à nossa por ser um momento especial para as crianças. Por cá, tradicionalmente, o Dia dos Finados traz subjacente antigos rituais pagãos que forma transportados para o cristianismo, é o completar de um ciclo de vida e o início do Outono e de Aténigia, Deusa do tempo e dos mortos. Parece que têm vergonha daquilo que é genuinamente português e preferem render-se às modas estrangeiras, nomeadamente, norte-americanas, enfim não compreendo mas afinal, sou do campo felizmente e ainda tenho o privilégio de assistir a uma tradição que por cá teima em manter-se viva.

quinta-feira, outubro 28, 2004

Do vosso amigo paulo portas

A propósito do complemento de Reforma atribuído aos ex-combatentes do Ultramar, o Ministro da Defesa, aproveitou para se servir desse momento para fazer uma campanha suja, eleitoralista, bem a jeito do estilo de fazer política de Paulo Portas. Num pais que até à bem pouco tempo escondeu os números reais das baixas portuguesas na referida guerra, é triste que alguém como o Sr. Paulo Portas, utilize algo a que os ex-combatentes têm direito para fazer campanha demagógica. O complemento de reforma é um direito de todos aqueles que viram a sua juventude e a sua vida em perigo numa guerra estúpida e sem sentido, não é uma prenda oferecida por alguém.
Para quem não sabe, a acompanhar o pagamento do primeiro complemento de reforma vem uma cartinha assinada por Paulo Portas como quem diz, eis uma prenda de Paulo Portas e não digam que não vão daqui sem nada, e já agora não se esqueçam de mim nas próximas eleições.