segunda-feira, agosto 23, 2004

A propósito dos ataques racistas a portugueses

A propósito do post colocado no Etrusco, gostaria também de fazer uma achega à questão sem que, no entanto, tenha mais nada a acrescentar ao que o Etrusco disse, e muito bem, acerca dos ataques racistas contra Portugueses na Irlanda do Norte. A situação que aqui levando tem a ver com os ataques, e outras situações de exclusão a que os Portugueses estão sujeitos noutros países da Europa, que tornam, neste caso apenas, esses países como incivilizados, as pessoas que os praticam é claro. Falo acerca da emigração que se verifica por intermédio de empresas de trabalho temporário, ou engajadores, apesar de não haver, em muitos casos, muitas diferenças entre engajadores e os primeiros que mencionei. Saiem milhares de portugueses para trabalharem noutros países europeus com a ilusão de melhores salários e de um estatuto de igualdade, fruto da livre circulação de pessoas e bens dentro do espaço comunitário. Ora, como devem calcular, isso não se verifica, verificando-se sim, a mais profunda exploração humana através da aplicação de salários manifestamente mais baixos e condições de alojamento que são no mínimo deploráveis. Tive conhecimento de várias situações destas na Holanda e na Alemanha em que, o negócio do envio de mão de obra portuguesa para esses países, é actualmente, um negócio de milhões. Trabalhadores portugueses a trabalhar a 8 € à hora, sem caixa de previdência, 12 horas por dia, ao passo que, outros trabalhadores a desempenharem as mesmas funções na empresa auferem quase o dobro. Para mais, vale bem a pena ler este artigo que expõe bem a situação que esses emigrantes vivem actualmente. Por fim, gostaria de frisar que esta situação em muito se torna possível pela conivência quer das autoridades portuguesas quer das autoridades dos países que “acolhem� os nossos emigrantes.

Os ovnis andam aí

No fim de semana não pude deixar de me rir ao ver uma reportagem na RTP acerca do tempo atípico que se tem vindo a registar no mês de Agosto. No meio de várias entrevistas a uns que estavam mais descontentes e outros a que estas chuvas e céus nublados não fizeram, nem fazem, alguma diferença, estava um cromo difícil de óculos estilo zézé que me elucidou acerca do porquê desta mudança súbita na meteorologia. Segundo este individuo, isto, deve-se a forças estranhas que ele próprio teve oportunidade de ver com os seus próprios olhos, algures na Ilha de Tavira. Essas forças estanhas, segundo ele, eram nada mais nada menos do que um OVNI que este avistou na Ilha de Tavira e que, estilo teoria da conspiração, andou por aí a modificar o tempo, sendo o seu propósito desconhecido.
O pessoal do Instituto de Meteorologia e Geofísica tem que, rápidamente, tirar um novo curso pois, imaginem, andavam convencidos que as alterações climáticas tinham a sua origem em frentes frias ou quentes e anticiclones. Quanto ao OVNI avistado pelo nosso zézé, devo fazer um apelo à população pois, este ovni, é pacífico, só quer alterar o clima mais nada, não entrem em pânico. Só estas coisas é que me fazem rir.

domingo, agosto 22, 2004

A vida tem destas coisas

Nunca imaginei que, um dia, ouvisse uma declaração de Alberto João Jardim e tivesse que admitir que o homem até tem razão. Aconteceu o cenário que pensei que fosse o mais improvável, concordei, apenas em parte é claro, das declarações que este fez num comício no Porto Santo em que disse que Portugal se tinha tornado numa républica de corporações. E há mais, ele disse também que, o Oliveira(nada de confusões com Oliveirinha) Salazar deveria estar-se a rir pois, este, durante 30 anos tentou implementar uma república corporativista em Portugal e não conseguiu, no entanto, o poder de Lisboa conseguiu e em democracia.
Actualmente, as corporações que lideravam o país durante o tempo da ditadura continuam a ter poder, aliás, em alguns casos, mais poder ainda. Não é de estranhar os episódios com gravações furtadas, processos que desaparecem, impunidade para alguns entre outras coisas. A saúde, os médicos que partilham a vida pública e a privada numa confusão pegada entre o serviço público e a iniciativa privada, as listas de espera, os genéricos entre tantas coisas. O modelo económico que persiste em continuar com a conivência de successivos governos, que não somente o actual, e de vários quadrantes, a permissividade à evasão do sistema fiscal português enfim tanta coisa que me faz, rápidamente, pensar que a democracia no nosso país, apesar de já ter 30 anos, ainda é uma criança.

sábado, agosto 21, 2004

O duo maravilha

Quem acompanha mais de perto este blog, reparou já na intensa troca de posts e comentários entre o Oliveirinha e o Etrusco. Ambos nutrimos um gosto especial por um tema comum, a raça humana. No entanto, e apesar de algumas vezes, as nossas posições parecerem muito distantes, não o são.
Quando pesquisei, na net, a genética humana, deparei-me com uma quantidade enorme de estudos científicos que, apesar de se intitularem científicos, fazem mais jus à veiculação de ideias e correntes de pensamento. Sempre foi, históricamente, conhecida a relação íntima entre ciência e poder político, e nos tempos que correm, isso não é excepção. De todos os estudos, há um aspecto em comum, o fundamento científico, mesmo que, por exemplo, se veicule a ideia da superioridade de uma raça em deterimento de outra.
A análise efectuada a vários blogues que abordam esta matéria indicam que, felizmente, há pessoas que se interessam por esta temática e que, brilhantemente, chegaram à conclusão que as várias populações humanas, na realidade, estão de tal maneira interligadas por antepassados comuns que é muito improvável conseguir-se defenir uma raça "pura". No entanto, ainda há alguns individuos que ainda veiculam as mesmas teorias racistas mesmo depois de lerem os mesmos estudos que consubstanciaram a teoria da inexistência de tão variadas raças humanas.
Um exemplo de tamanha idiotice chapada é este comentário de um inegrumeno a um post acerca da coloração de pele dos europeus meridionais.
Ora leiam lá e digam lá se o rapazito é ou não é um idiota chapado?!

Human = Nordic, Borreby, Brunn, Nord-Atlandid, Paleo-Atlandid
Nonhuman = everyone else.
Feel the north winds blow!Rock!ultra Nordish 08.20.04 - 11:50 am #

Moral da história: Há uma enorme confusão, por parte dos geneticistas, no que toca a conceitos como raça, etnia e outros. Como tal, exorto a todos eles que tenham mais cuidado na utilização destes conceitos. Outro aspecto que pretendo focar aqui tem a ver com a minha visão e vontade de abordar esta temática. A inexistência de raças humanas é uma teoria arrojada mas que, indubitávelmente, parte do campo das Ciências Sociais, e como tal, quando se afirma que não raças humanas, diz-se que, acima de tudo, que não existem raças humanas tal como foi construído o conceito nos séculos passados. Assim, não se pode categorizar uma determinada população como pertencente a uma ou outra raça pois, esse aspecto, é relegado em prol de outros aspectos como a adequação ao clima, sua influência na biologia humana e repercussões em posteriores e anteriores contactos com outras populações. É irrelevante para mim saber se a população portuguesa tem mais ou menos influência deste ou daquele genotipo, o que é relevante é saber como este ou aquele genotipo influenciaram o genotipo actual português.
Assim, cada vez que se abordar o tema no raminhos, este será abordado sob um ponto de vista social apenas. De resto, podemos fazer recurso ao etrusco e racial reality blog para conseguirmos aprender algo mais, sob o ponto de vista científico, acerca da temática referenciada agora.
Por fim, aconselho o Etrusco e o racial reality blog como referências para aprendizagem de um tema, apaixonante, que é a genética humana, raças humanas e outros temas análogos.

P.S : Como é que consigo contactar o etrusco via email?

sexta-feira, agosto 20, 2004

Que tal uma perspectiva histórica acerca do tema?

Não há nada como ter-se uma perspectiva história do tema que se aborda. Os conceitos de Racismo e Raças tem vindo a ser alvo de muitos textos, comentários, estudos e algumas distorções. A ciência é muito poderosa e tem que ser utilizada com alguma cautela pois, actualmente, o acesso à informação por todos poderá trazer alguns dissabores. De todas as teorias que conhecemos, ao longo da tempo, acerca da temática exposta, todas quase sem excepção, têem algo em comum. O fundamento científico sempre foi utilizado pelo poder político e actualmente isso ainda é verdade. Como tal, facilmente se encontram "estudos" genéticos reafirmando velhas teorias. Alguns individuos, mais criativos, até conseguiram subverter estudos legitimos para alimentar velhas crenças que, fruto de alguma abertura da caixa córnea, evoluiram. Antigamente, dizia-se que uma determinada raça era superior a outra por si só, actualmente, alguns ainda consideram esses conceitos válidos e indicam que (aqui está a abertura na caixa córnea) uma raça poderá não ser superior a outra mas, indubitávelmente, será mais propensa a evoluir mais do que outras.

Santana o Filantropo

Ao que parece a dívida pública de Angola ao Estado português foi negociada tendo sido acordado o pagamento de 27% de imediato e o restante em prestações anuais durante os próximos 20 e tal anos. Que maravilhoso que é o gesto tão altruísta do estado português em proporcionar o pagamento desta dívida, de uma forma faseada, ao Estado Angolano. Não que o povo, martirizado pelo guerra civil, não o mereça mas porque, sem dúvida alguma, o José Eduardo dos Santos, merece. Esse filantropo angolano que tem milhões de dólares algures em contas suíças na realidade merece que seja efectuado este negócio altruísta. Por falar em negócio, e tendo em vista uma análise, nua e crua da situação, vejamos o que está por detrás desta dívida. Anos e anos a fio de venda de armas ao MPLA para continuação do esforço de guerra contra a UNITA, nada mais filantropo que isto poderia haver, construções públicas para as infra-estruturas necessárias para o desenvolvimento do País, como são exemplo os palácios e casas de governadores, entre outras acções necessárias e filantropas de José Eduardo dos Santos. Agora tendo em conta que, a dívida pública angolana a Portugal foi criada pela venda de armas e cooperação militar, construções de infra-estruturas de luxo para o aparelho de partido do MPLA, não seria de ter vergonha na cara e pura e simplesmente, fazer um débito em conta ao José Eduardo dos Santos? Saldo tem concerteza, justo seria e a consciência ficaria, seguramente, mais limpa. Um último dado importante para toda esta negociata é o facto de ser o BES a financiar esta operação. Além de se reclamar créditos obtidos pela actividade suja da venda de armas a déspotas, ainda há lugar para arranjar um furozinho para os amigos.
O altruísmo é tão bonito.

Filosofia de Algibeira

Um dia alguém me disse que a vida se resumia, de certa forma, no vestir e despir e papeis e na gestão de expectativas. Vivemos confrontados com esta realidade na nossa vida em permanente constância e, nos tempos que correm, a uma velocidade alucinante.
A interacção que temos com outras pessoas ensinam-nos a criar expectativas, a desfazê-las e a reconstruir novas. Por algum motivo, tentamos inculcar as nossas expectativas noutras pessoas e, de uma forma exigente, aproximamo-nos ou afastamo-nos consoante as expectativas que criamos, previamente, formulando assim ideias, conceitos, apreciações. Apesar de o facto de se criarem expectativas em torno de pessoas, e não só, ser algo, de alguma forma, instintivo, fechamo-nos ao que é novo. A serenidade que as experiências passadas na nossa vida trazem, ensinam-nos a não criar expectativas, ou pelo menos, a não criar tantas.
Lá fora há um mundo vasto e cheio de novas expectativas, e estas, não são mais do que o caminho que temos que percorrer, mais directo ou sinuoso mas que, imperativamente, tem que ser percorrido. É tempo de aligeirar as expectativas, e dessa forma, tornar caminhos anteriormente sinuosos em auto-estradas.

quarta-feira, agosto 18, 2004

Raminhos International Show

Pois é, isto de ter um blog com aplicativos que contabilizam as entradas no blog e a respectiva proveniência, traz situações engraçadas e muitas curiosidades. Descobri, já à algum tempo, que o Raminhos já foi visitado por pessoal proviniente da Suécia, Estados Unidos, Bulgária, Brazil e da Síria também. Tenho um freguês da Síria que visita o Raminhos todos os dias, ou quase, mas não deixa comentários mas pode deixá-los se quizer é claro. O engraçado desta história toda é o facto de pessoal dos países mencionados terem entrado, várias vezes, no raminhos, sendo o blog escrito em Português.
Agora pensando bem, e tendo em conta, o cariz internacional do raminhos, não será este o caminho para a Fama?

Nota para mim mesmo: Encomendar limusine, pelo sim pelo não, aderir a uma corrente qualquer espiritual, escolher modelo fotográfico, ou várias.

A fama tem destas coisas!! ehehe

Etrusco no seu melhor

Para quem tem interesse em aprender algo positivo na vida e, tendo em conta a velha máxima que diz que o saber não ocupa espaço, aconselho, vivamente, o texto publico no etrusco que aqui deixo o link, para compreenderem melhor a história dos Celtas e dismistificar a concepção céltica que dispomos, veiculada que foi por historiadores neoclássicos.

Parabéns Etrusco keep up the good work

Teve que ser, não pude evitar

Escrever textos na blogoesfera tem muito que se lhe diga. Facilmente se criam expectativas, umas falsas outras verdadeiras, em torno da pessoa que escreve e, daí até à subversão completa daquilo que se escreve, é pequeno passo. Por vezes, deparamo-nos com situações que, no meu ver, só podem ser explicadas pela pura e simples incapacidade de compreender o que se lê, não que o que se lê esteja mal escrito mas, acima de tudo, porque quando se lê, busca-se sempre algo que apoie a visão mais ou menos distorcida de cada um. Deparei-me hoje com uma situação dessas que, aparentemente, poderá parecer cândida mas que na realidade não é. Para figurar a situação a que me refiro vou fazer uma espécie de metáfora, ou seja, sem indicar explicitamente a situação vou antes recorrer a um exemplo figurativo. Suponhamos que alguém escreve um texto verde e que colhe comentários de opinião porque outrem leu o referido texto e até concorda. Até aqui, aparentemente, tudo está bem mas, bem vistas as coisas, não está quando se verifica que o texto verde, apesar de ser a mistura entre o azul e o amarelo, nada tem a ver com a opinião azul, fruto de uma evolução, poderá ser da mesma família mas não é exactamente a mesma coisa. Nesta situação as clivagens não são evidentes mas existem e na realidade são muito grandes.
Uma coisa é ir contra as teorias nórdicas de uma “raça� superior em relação às meridionais, e a outra é estar contra essa teoria como suporte para a fundamentação de uma teoria que “prove� que os nórdicos estão errados porque os meridionais são superiores. A diferença é de quilómetros e neste caso aplica-se o verde à descontrução, científica e despreconceituosa, da teoria da superioridade nórdica, e a cor azul à teoria de reacção que subverte, dentro da mesma lógica, a teoria de superioridade nórdica com o caminho inverso, ou seja, com a mesma argumentação tentar provar que os meridionais são de facto superiores aos nórdicos. Convínhamos que é no mínimo surrealista.

terça-feira, agosto 17, 2004

Prefere loiras ou morenas? muitas.....

A atracção entre duas pessoas, ao contrário do que é pré-estabelecido, não se rege apenas com a questão de preferência entre loiras(os) e morenas(os). Aliás, sempre me fez alguma confusão a história de efectuar preferências tendo por base a cor do cabelo. Alguns estudiosos crêem que a atracção rege-se por aspectos que se prendem com a estrutura facial de cada pessoa, ou seja, crê-se que certas e determinadas características em termos de estrutura facial indicam, instintivamente, traços ou características de personalidade. A linha do queixo por exemplo é tida como, de acordo com o formato mais proeminente ou não, como indicador de liderança, força. Desmond Morris no livro que publicou intitulado “ o macaco nu� procura explicar como certas características actuais do Homem moderno surgiram como adaptações biológicas, por parte de ambos os géneros, na constante prossecução do objectivo de reprodução da espécie, Felizmente, a humanidade evoluiu e de certa forma conseguimos ultrapassar estes aspectos meramente biológicos e, quase matematicamente, incluímos outras variáveis à equação da procura de um parceiro ideal. No entanto, a atracção tem aspectos mais instintivos que ultrapassam uma qualquer explicação científica. A beleza, ou o ideal de beleza, é-nos, de certa forma, imposto pela sociedade. Os reclames na televisão indicam uma família feliz com miúdos loiros, esposas loiras e maridos morenos, mesmo cá em Portugal onde os morenos predominam. Os modelos fotográficos são, na maioria, esqueléticos, com uma estrutura facial muito idêntica entre si. Parece, ou querem fazer-nos crer que a beleza é encontrada num único protótipo de pessoa o que não condiz, nem por perto, com a realidade. Parece que se pretende alimentar sempre o ideal juvenil de beleza mesmo em idade adulta o que é estranho, ou algo bizarro. O silicone nem se fala, aliás, a ideia de apalpar um seio que, devido ao silicone, facilmente pode ser confundido com uma botija de água quente, idêntica a aquelas que se usavam para aquecer os pés, é freakish.

segunda-feira, agosto 16, 2004

O conceito de raça Humana

Para quem, como eu, nutrir alguma curiosidade científica em torno do conceito de raça humana, e mais propriamente, acerca da desconstrução do conceito neoclássico de raças humanas, em aqui a oportunidade de se esclarecer acerca da matéria.
Sempre fez parte do instinto humano a necessidade de se inserir em grupos. Esta necessidade gerou comportamentos de aproximação e exclusão entre grupos. de alguma forma, o ser humano tem a necessidade de se proteger num grupo que, terá concerteza, que ter como forma de conduta e interacção com os restantes grupos e a sociedade, comportamentos identicos aos dos individuos que o compoêm. Apesar dos grupos serem compostos muitas vezes por individuos diferentes, em comum, têem, muitas vezes a forma como estes apreendem os valores sociais da sociedade em que vivem, reflectindo-se como um espelho nos comportamentos que estes têem em grupo.
É minha opinião pessoal que, a discriminação com base na cor diferente de pele e até mesmo na sexualidade dos individuos não é um comportamento natural, é doutrinado. Como tal, é tempo de revolucionar os comportamentos em relação à discriminação com base nas "raças" e nas diferentes sexualidades.

Escuta e escuta bem mas não escutes demais.

Conversei uma vez com uma pessoa que trabalhou numa instituição pública vocacionada para a investigação criminal. Falámos acerca da investigação criminal em Portugal e seus meandros, e desde então, compreendi como se processam as investigações criminais e as escutas. Ao que parece, escutas e gravações de depoimentos, eram e são guardados religiosamente nas instalações, seguras, das instituições criminais portuguesas, mas também desaparecem. Adelino Salvado fez-me recordar a história, já aqui contada, do cágado em cima da árvore. Alguém o colocou lá em cima, Adelino Salvado, cágado político a serviço de quem mais poderá ter beneficiado com as suas conversas, entretanto, o cágado foi para o chão, não caiu, alguém o atirou da árvore abaixo.
Tenho tido a oportunidade de ver mais de perto o funcionamento da Justiça Portuguesa e, depois de muitas visitas a tribunais e a audiências, cheguei a algumas conclusões. Nem tudo é mau como devem calcular, no entanto, não chega sequer a ser bom. Desde investigações feitas e desfeitas conforme os implicados, a depoimentos de testemunhas devidamente doutrinadas, a julgamentos a correr e outros que teimam a empancar, o sistema judicial português vai funcionando, ou não. Processos judiciais ganham-se ou perdem-se muitas vezes por questões processuais. Um papel, um procedimento administrativo pesam mais, por vezes, do que os factos e a verdade. Pergunto-me por vezes, a quem é que isto beneficia? A uma corporação representativa da magistratura? A uma nata de advogados? Sei que não beneficia a justiça, aliás, esta é feita de vez em quando, ao sabor e vontade de quem tem o poder neste país desde tempos mais remotos.
Pedro Santana Lopes propôs um pacto de regime para a nomeação do substituto de Adelino Salvado. Sempre pensei que as pessoas fossem nomeadas de acordo com as suas competências técnicas para os diversos cargos, mas não, em Portugal as funções mais importantes são ocupadas por consultores, gestores e demais que opinam e opinam e no final, resultados zero. È fácil propor um pacto de regime de alguém que ficará sob controlo do governo mas com o aval da oposição, assim os Adelinos continuam a escutar e as investigações a empancar. Não haverá, na Polícia Judiciária, alguém que, tecnicamente, seja capaz de exercer o cargo? Parece que não, esses ouvem demais.

I´m back

O terror está de volta. Uma semanita de férias para retemperar as forças e eis-me de volta. Mais tarde vou postar aqui umas coisitas que fiz nas férias.

sexta-feira, agosto 06, 2004

Economia essa ciência do "oculto"

Ontem, devido a insónias causadas pelo calor excessivo, fui ver um pouco de televisão e, na SIC notícias, tive a oportunidade de ver dois comentadores de Economia, o João César das Neves e Guilherme Oliveira ex-ministro das finanças do último governo rosa. A uma dada altura, João César das Neves, disse que os governos estragam mais do que ajudam a economia. Isto porque, e segundo este, a economia é gerida por mercados que são compostos por pessoas e, naturalmente segundo este, nenhum governo consegue comandar a vontade e comportamentos de 10 milhões de pessoas, fazendo referência a Portugal. Ora bem, num ponto de vista meramente académico, logo teórico, não deixa de ser verdade, pois, há comportamentos de consumo que não são directamente “controlados� por nenhum governo, no entanto, existem políticas governamentais que influenciam a conjectura económica. No entanto, há algo de certo no que João César das Neves diz, ou seja, num ponto de vista estrutural, a vontade e forma de pensar dos investidores e dos contribuintes, influência de uma forma determinante o estado da economia, logo, aí o governo não terá um papel tão determinante quanto muitos julgam.
Quando num país como é o caso de Portugal em que, fugir aos impostos é norma doutrinária da maioria dos contribuintes, é claro que, nenhum governo pode personificar-se como a razão de todos os males. Por outro lado, temos que ver que a atitude e forma de estar do empresariado português não é a correcta. Isto explica-se porque a maioria dos empresários acha que a necessidade de investimento tem que ser, sempre, complementada por subsídios e ajudas do Estado. O Estado deve criar os meios para que a economia funcione de uma forma correcta e dinâmica mas, somente, do ponto de vista da função pública que, deve ser, rápida e célere na execução de todos os actos necessário e imprescindíveis para o bom funcionamento de um país.
Em conclusão, enquanto o empresário médio português pensar que pode fugir sempre aos impostos por não haver fiscalização minimamente eficaz e, por outro lado, a Função Pública funcionar da forma como tem vindo a funcionar, Portugal, do ponto de vista económico-estrutural, não poderá vislumbrar um futuro muito risonho. Por último, temos que ver o comportamento dos contribuintes em geral, enquanto não se deixar de fugir aos impostos como forma de vida, o Estado, que tem sempre as costas largas, não poderá funcionar da forma mais eficaz. Qualquer das vias, é necessário dizer que gastando vários milhares de Euros em submarinos não é a forma mais racional para um correcto funcionamento de um Estado que pretende a prossecução da satisfação das necessidades mais elementares de uma nação. A economia, por vezes, entra em campos que diremos, do oculto e do misticismo mas, diga-se em abono da verdade, tem regras que são básicas, ou seja, se não entra dinheiro, também não pode sair.

quarta-feira, agosto 04, 2004

Vamos lá a ver se entendo isto...

Devo ter falta à aula em que, de uma forma simples, um muy doto professor explicava como é possível vender algo financiando o próprio comprador com dinheiro provindo dos lucros da própria empresa que este pretende adquirir. Devo ser mesmo otário! Assim sendo, já podia ter comprado a Galp à mais tempo. Perdem-se cá cada oportunidades de negócio que, directamente, me faz efectuar um exame de consciência e concluir que sou um grande nabo.
Estou a pensar propor um negócio idêntico ao da Galp ao Estado. Vou propôr a aquisição da Assembleia da República para fazer daquilo um bordel de luxo em que o pobre também pode entrar. Como não muito dinheiro para investir, os que lá estão, actualmente, vão ter que dar o corpo ao manifesto. Para bem da nação! aceitam-se parceiros para joint-venture.

A ponte entre o ribatejo e lisboa

Ontem foi inaugurada a ponte, remodelada, de Constância. Uma oportunidade dourada para vir alguém de Lisboa cortar uma fitazinha colorida e proferir um discurso vago para não cometer a asneira de se enganar no nome da localidade entre outras coisas. A referida ponte une os concelhos de Vila Nova da Barquinha e Constância e, na ocasião da reabertura da ponte igual à de Entre os Rios, foi erigido um palanque para os mais altos dignitários do poder lisboeta e local. Tudo estava a correr bem até se aperceberem que, o referido palanque, estava montado em pleno concelho de Vila Nova da Barquinha. Ninguém da autarquia Barquinhense fora convidada para a inauguração. A isto eu chamo um caso nítido de azar.
Por estas e por outras é que eu penso, cada vez mais, que a Regionalização é tão necessária para a região do Ribatejo. Estarmos dependentes de indivíduos de Lisboa que só se lembram, a muito custo, que esta região existe, quando há eleições, custa bastante atendendo às carências que esta região possui actualmente. Não quero dizer com isto que não gostemos de Lisboetas, pelo contrário, rimo-nos bastante com eles, são divertidos. A questão da regionalização está, de certa forma, amenizada por via da forma de estar dos locais. O que eu adoro ver são os indígenas de Lisboa no verão e na feira do cavalo com os chapelinhos à caçador alpino ( não sei onde é que eles foram buscar aqueles chapéus com as penas de faisão espetadas no cruto do chapéu, como sendo típicos?! ). O contraste é hilariante, o cheiro a mofo e naftalina do chapelinho e o acentuado sotaque lisboeta fazem partir o coco a rir dos locais.

terça-feira, agosto 03, 2004

Programa de festas do Santana Lopes

Tive a oportunidade de dar uma leitura, transversal, no programa do Governo santanista e, consegui chegar ao ponto dois, da introdução, e parei. Reparei que me tinha enganado no programa, o que lá estava escrito, em nada condizia com o que se passa e se passou em Portugal. Levanta-se, desde já, uma questão pertinente, a que país pertence este programa?

Dão-se alvissíras, ou uma secretaria de estado em Bragança, a quem souber a que país pertence este programa governativo.

Eis a pérola política de PSL. Vão ter a oportunidade de ler esta panfleto publicitário, a quê não sei bem mas enfim, deste governo santanista, e daí, poderão verificar se estou enganado quando digo que estes tipos devem estar meio esquizo.

“1 – O programa do XVI Governo Constitucional que agora se apresenta à Assembleia da República assenta na continuidade das políticas desenvolvidas pelo XV Governo Constitucional.� (Valha-nos Nossa Senhora do Apito)

A legitimidade democrática que lhe dá origem é a mesma. A maioria parlamentar permanece intacta. O compromisso com os eleitores não se altera. A avaliação que deverá ser feita, pelos portugueses, no final da legislatura, não será de partes separadas, mas sim de um todo. Será o resultado da acção dos dois governos, do que já foi feito e do que ainda será realizado, que o país julgará.

A legitimidade democrática que lhe dá origem é a mesma? Querem ver que houve eleições e eu não dei por nada?

O compromisso com eleitores não se altera? Não me digam que o José Manel vai voltar de Bruxelas?! Valha-nos a nossa senhora do apito, outra vez.

A avaliação que se refere, compete-me informá-lo que, chumbou na frequência e terá que ir, imperativamente, a exame nas urnas meu caro, nesta matéria ainda é o povo que fixa as notas ok?!

Compromissos assumidos e já cumpridos foram alguns como por exemplo, os submarinos, o défice manipulado, o desemprego entre outros compromissos.

“2 – Os dois anos de trabalho do XV Governo Constitucional marcaram, de forma incontornável, a história de Portugal.�

O terramoto de 1785 também, capisce?

“3 – Hoje Portugal é um país com esperança e ambição�

Eu não digo que os tipos estão esquizofrénicos! Aonde é que eles vivem? Certamente que os milhares de desempregados pensam assim mesmo.

“Os critérios de rigor e de verdade que, finalmente, se impuseram às contas do Estado, permitiram o cumprimento, com responsabilidade, dos compromissos impostos pelo Pacto de Estabilidade e Crescimento.�

Mas eles acreditam mesmo naquilo que dizem ou pensam que somos assim tão estúpidos? Rigor nas contas? Vendemos o que tínhamos para vender, a despesa pública subiu assustadoramente, investimos em equipamentos desnecessários como são exemplo os submarinos e ainda falam em responsabilidade?

Estarão a falar do mesmo país?


segunda-feira, agosto 02, 2004

Por falar em preconceitos....

Correndo o sério risco de ser considerado preconceituoso, eu, não posso deixar de expressar a minha estranheza perante usos e costumes, modus operandi de algumas pessoas que, pertencendo a certas organizações, insistem em estilizar formas de pensar e actuar perante as várias situações e contextos às quais são confrontadas. Creio que, apesar da associação de certos silogismos, a formação de convicções está ligada à personalidade de cada um e, indubitavelmente, à forma como várias pessoas reagem ou apreendem, os mesmos valores, de formas diferentes. Essa particularidade intitula-se ancoragem directa, ou seja, a forma como indivíduos, diferentes entre si, apreendem conceitos e valores sociais comuns a todos de uma forma diferente. Tudo isto apenas para explicar o que eu vejo na actuação de partidários do PSD, apesar de, obviamente, serem indivíduos diferentes entre si no que concerne o espaço intimo de cada um mas que, e apesar disso, agem de forma idêntica perante os problemas a que são confrontados. De várias pessoas que conheço, partidárias ou simpatizantes, do PSD, existe um denominante comum. As reuniões infindáveis, as conversas, as horas que passam sem chegar a conclusão alguma. A falta de objectividade é clara e óbvia.
Normalmente, as reuniões devem ser convocadas para encontrar soluções para certos de determinados problemas, sendo que, o garante de uma reunião produtiva é, imprescindivelmente, o pragmatismo como os problemas devem ser equacionados, dando como é exigido, uma ênfase maior na solução do problema em vez do problema em si. Das reuniões, infindáveis, que tive com partidários do PSD, num contexto laboral, graças a Deus, havia sempre a particularidade de se falar horas a fio no problema e de quem o provocou para que, depois de horas de discussão, se agendar nova reunião para encontrar soluções. Claro que, soluções foram-se arranjando algumas, a saca rolhas e na maior parte das vezes, extemporâneas. Havia sempre outro factor que me deixava perplexo, o sucessivo e incessante recusar de chegar até ao problema, ou seja, de falar com quem tivesse cometido o erro e, de uma forma frontal, questioná-lo acerca do porquê. Dessa deficiência resultava sempre jogos palacianos, preconceitos e ideias estapafúrdias que resultavam, sempre, na agudização do problema.
Para se ser líder, primeiro, tem que se nascer líder, em segundo é necessário que, intrinsecamente, se seja organizado e saber planificar com provas anteriormente dadas. De repente, não consigo associar esta última ideia ao novo Primeiro Ministro. Quem por natureza consegue liderar, sabe perfeitamente, o que fazer, resume as reuniões significativamente. Não necessita de tantas reuniões, nem de apontar culpados pois tem uma noção concreta do que é um sistema que, forçosamente, tem de funcionar com pessoas, diferentes entre si, e que, para além de seu orgulho, anda também o orgulho e a percepção, diferente, dessas mesmas pessoas que o executam.

domingo, agosto 01, 2004

Eu e o Barão Vermelho

Ontem tive a felicidade de poder, novamente, privar com a companhia de meu avô, o Sr. Américo Oliveirinha (saí ao neto), os 86 anos de idade de meu avô em nada lhe retiraram a frescura mental que sempre o caracterizou. Entre conversas sobre Angola e o tempo em que lá esteve, aflorou à memória um episódio marcante da minha infância. Certo dia, quando o meu avô me levou à Base aérea de Sintra, onde era responsável pela manutenção e reabilitação de todos os aviões do Museu do Ar, eu fui com ele. Tinha 8 anos e já de então, a minha perícia no manche do avião era notável. Sentei-me num biplano de fabrico francês e, assim que descolei, tive um encontro entusiasmante, daqueles que todos os jovens pilotos de guerra anseiam, com o Barão Vermelho. A dog fight durou toda a manhã, tive que me esquivar das balas disparadas pelo avião, triplano vermelho, de tão pérfido herói do eixo do mal, mas venci, ou melhor, a fome venceu-me e o meu avô deu-me ordem para regressar à base. Após tão acesa luta, o descanso do guerreiro, merecido, e acompanhado com o meu avô, ele também guerreiro de outras lutas.
É impressionante o detalhe e a precisão das histórias mais recondidas que o meu avô tem da minha infância e da dele. À tarde passei directamente para uma nova era da aviação, o jacto. Aí tive a oportunidade de ver os aviões mais modernos mas, apesar da tecnologia maravilhar qualquer um, não apreciei muito. A sensação de lutar no ar contra um inimigo que, olhos nos olhos, pode ser confrontado, sempre me entusiasmou muito mais. Foi um dia mágico para mim, jamais me irei esquecer, e o Barão Vermelho também não, acabei por o derrotar a caminho de casa, no ford cortina branco do meu avô.
Américo Oliveira, natural de Aveiro, órfão de Pai desde os 3 anitos de idade, Socialista de velha guarda, viajou pelos sete cantos do mundo, tem imensas histórias para contar. Obrigado avô.