sexta-feira, agosto 20, 2004

Filosofia de Algibeira

Um dia alguém me disse que a vida se resumia, de certa forma, no vestir e despir e papeis e na gestão de expectativas. Vivemos confrontados com esta realidade na nossa vida em permanente constância e, nos tempos que correm, a uma velocidade alucinante.
A interacção que temos com outras pessoas ensinam-nos a criar expectativas, a desfazê-las e a reconstruir novas. Por algum motivo, tentamos inculcar as nossas expectativas noutras pessoas e, de uma forma exigente, aproximamo-nos ou afastamo-nos consoante as expectativas que criamos, previamente, formulando assim ideias, conceitos, apreciações. Apesar de o facto de se criarem expectativas em torno de pessoas, e não só, ser algo, de alguma forma, instintivo, fechamo-nos ao que é novo. A serenidade que as experiências passadas na nossa vida trazem, ensinam-nos a não criar expectativas, ou pelo menos, a não criar tantas.
Lá fora há um mundo vasto e cheio de novas expectativas, e estas, não são mais do que o caminho que temos que percorrer, mais directo ou sinuoso mas que, imperativamente, tem que ser percorrido. É tempo de aligeirar as expectativas, e dessa forma, tornar caminhos anteriormente sinuosos em auto-estradas.

quarta-feira, agosto 18, 2004

Raminhos International Show

Pois é, isto de ter um blog com aplicativos que contabilizam as entradas no blog e a respectiva proveniência, traz situações engraçadas e muitas curiosidades. Descobri, já à algum tempo, que o Raminhos já foi visitado por pessoal proviniente da Suécia, Estados Unidos, Bulgária, Brazil e da Síria também. Tenho um freguês da Síria que visita o Raminhos todos os dias, ou quase, mas não deixa comentários mas pode deixá-los se quizer é claro. O engraçado desta história toda é o facto de pessoal dos países mencionados terem entrado, várias vezes, no raminhos, sendo o blog escrito em Português.
Agora pensando bem, e tendo em conta, o cariz internacional do raminhos, não será este o caminho para a Fama?

Nota para mim mesmo: Encomendar limusine, pelo sim pelo não, aderir a uma corrente qualquer espiritual, escolher modelo fotográfico, ou várias.

A fama tem destas coisas!! ehehe

Etrusco no seu melhor

Para quem tem interesse em aprender algo positivo na vida e, tendo em conta a velha máxima que diz que o saber não ocupa espaço, aconselho, vivamente, o texto publico no etrusco que aqui deixo o link, para compreenderem melhor a história dos Celtas e dismistificar a concepção céltica que dispomos, veiculada que foi por historiadores neoclássicos.

Parabéns Etrusco keep up the good work

Teve que ser, não pude evitar

Escrever textos na blogoesfera tem muito que se lhe diga. Facilmente se criam expectativas, umas falsas outras verdadeiras, em torno da pessoa que escreve e, daí até à subversão completa daquilo que se escreve, é pequeno passo. Por vezes, deparamo-nos com situações que, no meu ver, só podem ser explicadas pela pura e simples incapacidade de compreender o que se lê, não que o que se lê esteja mal escrito mas, acima de tudo, porque quando se lê, busca-se sempre algo que apoie a visão mais ou menos distorcida de cada um. Deparei-me hoje com uma situação dessas que, aparentemente, poderá parecer cândida mas que na realidade não é. Para figurar a situação a que me refiro vou fazer uma espécie de metáfora, ou seja, sem indicar explicitamente a situação vou antes recorrer a um exemplo figurativo. Suponhamos que alguém escreve um texto verde e que colhe comentários de opinião porque outrem leu o referido texto e até concorda. Até aqui, aparentemente, tudo está bem mas, bem vistas as coisas, não está quando se verifica que o texto verde, apesar de ser a mistura entre o azul e o amarelo, nada tem a ver com a opinião azul, fruto de uma evolução, poderá ser da mesma família mas não é exactamente a mesma coisa. Nesta situação as clivagens não são evidentes mas existem e na realidade são muito grandes.
Uma coisa é ir contra as teorias nórdicas de uma “raça� superior em relação às meridionais, e a outra é estar contra essa teoria como suporte para a fundamentação de uma teoria que “prove� que os nórdicos estão errados porque os meridionais são superiores. A diferença é de quilómetros e neste caso aplica-se o verde à descontrução, científica e despreconceituosa, da teoria da superioridade nórdica, e a cor azul à teoria de reacção que subverte, dentro da mesma lógica, a teoria de superioridade nórdica com o caminho inverso, ou seja, com a mesma argumentação tentar provar que os meridionais são de facto superiores aos nórdicos. Convínhamos que é no mínimo surrealista.

terça-feira, agosto 17, 2004

Prefere loiras ou morenas? muitas.....

A atracção entre duas pessoas, ao contrário do que é pré-estabelecido, não se rege apenas com a questão de preferência entre loiras(os) e morenas(os). Aliás, sempre me fez alguma confusão a história de efectuar preferências tendo por base a cor do cabelo. Alguns estudiosos crêem que a atracção rege-se por aspectos que se prendem com a estrutura facial de cada pessoa, ou seja, crê-se que certas e determinadas características em termos de estrutura facial indicam, instintivamente, traços ou características de personalidade. A linha do queixo por exemplo é tida como, de acordo com o formato mais proeminente ou não, como indicador de liderança, força. Desmond Morris no livro que publicou intitulado “ o macaco nu� procura explicar como certas características actuais do Homem moderno surgiram como adaptações biológicas, por parte de ambos os géneros, na constante prossecução do objectivo de reprodução da espécie, Felizmente, a humanidade evoluiu e de certa forma conseguimos ultrapassar estes aspectos meramente biológicos e, quase matematicamente, incluímos outras variáveis à equação da procura de um parceiro ideal. No entanto, a atracção tem aspectos mais instintivos que ultrapassam uma qualquer explicação científica. A beleza, ou o ideal de beleza, é-nos, de certa forma, imposto pela sociedade. Os reclames na televisão indicam uma família feliz com miúdos loiros, esposas loiras e maridos morenos, mesmo cá em Portugal onde os morenos predominam. Os modelos fotográficos são, na maioria, esqueléticos, com uma estrutura facial muito idêntica entre si. Parece, ou querem fazer-nos crer que a beleza é encontrada num único protótipo de pessoa o que não condiz, nem por perto, com a realidade. Parece que se pretende alimentar sempre o ideal juvenil de beleza mesmo em idade adulta o que é estranho, ou algo bizarro. O silicone nem se fala, aliás, a ideia de apalpar um seio que, devido ao silicone, facilmente pode ser confundido com uma botija de água quente, idêntica a aquelas que se usavam para aquecer os pés, é freakish.

segunda-feira, agosto 16, 2004

O conceito de raça Humana

Para quem, como eu, nutrir alguma curiosidade científica em torno do conceito de raça humana, e mais propriamente, acerca da desconstrução do conceito neoclássico de raças humanas, em aqui a oportunidade de se esclarecer acerca da matéria.
Sempre fez parte do instinto humano a necessidade de se inserir em grupos. Esta necessidade gerou comportamentos de aproximação e exclusão entre grupos. de alguma forma, o ser humano tem a necessidade de se proteger num grupo que, terá concerteza, que ter como forma de conduta e interacção com os restantes grupos e a sociedade, comportamentos identicos aos dos individuos que o compoêm. Apesar dos grupos serem compostos muitas vezes por individuos diferentes, em comum, têem, muitas vezes a forma como estes apreendem os valores sociais da sociedade em que vivem, reflectindo-se como um espelho nos comportamentos que estes têem em grupo.
É minha opinião pessoal que, a discriminação com base na cor diferente de pele e até mesmo na sexualidade dos individuos não é um comportamento natural, é doutrinado. Como tal, é tempo de revolucionar os comportamentos em relação à discriminação com base nas "raças" e nas diferentes sexualidades.

Escuta e escuta bem mas não escutes demais.

Conversei uma vez com uma pessoa que trabalhou numa instituição pública vocacionada para a investigação criminal. Falámos acerca da investigação criminal em Portugal e seus meandros, e desde então, compreendi como se processam as investigações criminais e as escutas. Ao que parece, escutas e gravações de depoimentos, eram e são guardados religiosamente nas instalações, seguras, das instituições criminais portuguesas, mas também desaparecem. Adelino Salvado fez-me recordar a história, já aqui contada, do cágado em cima da árvore. Alguém o colocou lá em cima, Adelino Salvado, cágado político a serviço de quem mais poderá ter beneficiado com as suas conversas, entretanto, o cágado foi para o chão, não caiu, alguém o atirou da árvore abaixo.
Tenho tido a oportunidade de ver mais de perto o funcionamento da Justiça Portuguesa e, depois de muitas visitas a tribunais e a audiências, cheguei a algumas conclusões. Nem tudo é mau como devem calcular, no entanto, não chega sequer a ser bom. Desde investigações feitas e desfeitas conforme os implicados, a depoimentos de testemunhas devidamente doutrinadas, a julgamentos a correr e outros que teimam a empancar, o sistema judicial português vai funcionando, ou não. Processos judiciais ganham-se ou perdem-se muitas vezes por questões processuais. Um papel, um procedimento administrativo pesam mais, por vezes, do que os factos e a verdade. Pergunto-me por vezes, a quem é que isto beneficia? A uma corporação representativa da magistratura? A uma nata de advogados? Sei que não beneficia a justiça, aliás, esta é feita de vez em quando, ao sabor e vontade de quem tem o poder neste país desde tempos mais remotos.
Pedro Santana Lopes propôs um pacto de regime para a nomeação do substituto de Adelino Salvado. Sempre pensei que as pessoas fossem nomeadas de acordo com as suas competências técnicas para os diversos cargos, mas não, em Portugal as funções mais importantes são ocupadas por consultores, gestores e demais que opinam e opinam e no final, resultados zero. È fácil propor um pacto de regime de alguém que ficará sob controlo do governo mas com o aval da oposição, assim os Adelinos continuam a escutar e as investigações a empancar. Não haverá, na Polícia Judiciária, alguém que, tecnicamente, seja capaz de exercer o cargo? Parece que não, esses ouvem demais.

I´m back

O terror está de volta. Uma semanita de férias para retemperar as forças e eis-me de volta. Mais tarde vou postar aqui umas coisitas que fiz nas férias.

sexta-feira, agosto 06, 2004

Economia essa ciência do "oculto"

Ontem, devido a insónias causadas pelo calor excessivo, fui ver um pouco de televisão e, na SIC notícias, tive a oportunidade de ver dois comentadores de Economia, o João César das Neves e Guilherme Oliveira ex-ministro das finanças do último governo rosa. A uma dada altura, João César das Neves, disse que os governos estragam mais do que ajudam a economia. Isto porque, e segundo este, a economia é gerida por mercados que são compostos por pessoas e, naturalmente segundo este, nenhum governo consegue comandar a vontade e comportamentos de 10 milhões de pessoas, fazendo referência a Portugal. Ora bem, num ponto de vista meramente académico, logo teórico, não deixa de ser verdade, pois, há comportamentos de consumo que não são directamente “controlados� por nenhum governo, no entanto, existem políticas governamentais que influenciam a conjectura económica. No entanto, há algo de certo no que João César das Neves diz, ou seja, num ponto de vista estrutural, a vontade e forma de pensar dos investidores e dos contribuintes, influência de uma forma determinante o estado da economia, logo, aí o governo não terá um papel tão determinante quanto muitos julgam.
Quando num país como é o caso de Portugal em que, fugir aos impostos é norma doutrinária da maioria dos contribuintes, é claro que, nenhum governo pode personificar-se como a razão de todos os males. Por outro lado, temos que ver que a atitude e forma de estar do empresariado português não é a correcta. Isto explica-se porque a maioria dos empresários acha que a necessidade de investimento tem que ser, sempre, complementada por subsídios e ajudas do Estado. O Estado deve criar os meios para que a economia funcione de uma forma correcta e dinâmica mas, somente, do ponto de vista da função pública que, deve ser, rápida e célere na execução de todos os actos necessário e imprescindíveis para o bom funcionamento de um país.
Em conclusão, enquanto o empresário médio português pensar que pode fugir sempre aos impostos por não haver fiscalização minimamente eficaz e, por outro lado, a Função Pública funcionar da forma como tem vindo a funcionar, Portugal, do ponto de vista económico-estrutural, não poderá vislumbrar um futuro muito risonho. Por último, temos que ver o comportamento dos contribuintes em geral, enquanto não se deixar de fugir aos impostos como forma de vida, o Estado, que tem sempre as costas largas, não poderá funcionar da forma mais eficaz. Qualquer das vias, é necessário dizer que gastando vários milhares de Euros em submarinos não é a forma mais racional para um correcto funcionamento de um Estado que pretende a prossecução da satisfação das necessidades mais elementares de uma nação. A economia, por vezes, entra em campos que diremos, do oculto e do misticismo mas, diga-se em abono da verdade, tem regras que são básicas, ou seja, se não entra dinheiro, também não pode sair.

quarta-feira, agosto 04, 2004

Vamos lá a ver se entendo isto...

Devo ter falta à aula em que, de uma forma simples, um muy doto professor explicava como é possível vender algo financiando o próprio comprador com dinheiro provindo dos lucros da própria empresa que este pretende adquirir. Devo ser mesmo otário! Assim sendo, já podia ter comprado a Galp à mais tempo. Perdem-se cá cada oportunidades de negócio que, directamente, me faz efectuar um exame de consciência e concluir que sou um grande nabo.
Estou a pensar propor um negócio idêntico ao da Galp ao Estado. Vou propôr a aquisição da Assembleia da República para fazer daquilo um bordel de luxo em que o pobre também pode entrar. Como não muito dinheiro para investir, os que lá estão, actualmente, vão ter que dar o corpo ao manifesto. Para bem da nação! aceitam-se parceiros para joint-venture.

A ponte entre o ribatejo e lisboa

Ontem foi inaugurada a ponte, remodelada, de Constância. Uma oportunidade dourada para vir alguém de Lisboa cortar uma fitazinha colorida e proferir um discurso vago para não cometer a asneira de se enganar no nome da localidade entre outras coisas. A referida ponte une os concelhos de Vila Nova da Barquinha e Constância e, na ocasião da reabertura da ponte igual à de Entre os Rios, foi erigido um palanque para os mais altos dignitários do poder lisboeta e local. Tudo estava a correr bem até se aperceberem que, o referido palanque, estava montado em pleno concelho de Vila Nova da Barquinha. Ninguém da autarquia Barquinhense fora convidada para a inauguração. A isto eu chamo um caso nítido de azar.
Por estas e por outras é que eu penso, cada vez mais, que a Regionalização é tão necessária para a região do Ribatejo. Estarmos dependentes de indivíduos de Lisboa que só se lembram, a muito custo, que esta região existe, quando há eleições, custa bastante atendendo às carências que esta região possui actualmente. Não quero dizer com isto que não gostemos de Lisboetas, pelo contrário, rimo-nos bastante com eles, são divertidos. A questão da regionalização está, de certa forma, amenizada por via da forma de estar dos locais. O que eu adoro ver são os indígenas de Lisboa no verão e na feira do cavalo com os chapelinhos à caçador alpino ( não sei onde é que eles foram buscar aqueles chapéus com as penas de faisão espetadas no cruto do chapéu, como sendo típicos?! ). O contraste é hilariante, o cheiro a mofo e naftalina do chapelinho e o acentuado sotaque lisboeta fazem partir o coco a rir dos locais.

terça-feira, agosto 03, 2004

Programa de festas do Santana Lopes

Tive a oportunidade de dar uma leitura, transversal, no programa do Governo santanista e, consegui chegar ao ponto dois, da introdução, e parei. Reparei que me tinha enganado no programa, o que lá estava escrito, em nada condizia com o que se passa e se passou em Portugal. Levanta-se, desde já, uma questão pertinente, a que país pertence este programa?

Dão-se alvissíras, ou uma secretaria de estado em Bragança, a quem souber a que país pertence este programa governativo.

Eis a pérola política de PSL. Vão ter a oportunidade de ler esta panfleto publicitário, a quê não sei bem mas enfim, deste governo santanista, e daí, poderão verificar se estou enganado quando digo que estes tipos devem estar meio esquizo.

“1 – O programa do XVI Governo Constitucional que agora se apresenta à Assembleia da República assenta na continuidade das políticas desenvolvidas pelo XV Governo Constitucional.� (Valha-nos Nossa Senhora do Apito)

A legitimidade democrática que lhe dá origem é a mesma. A maioria parlamentar permanece intacta. O compromisso com os eleitores não se altera. A avaliação que deverá ser feita, pelos portugueses, no final da legislatura, não será de partes separadas, mas sim de um todo. Será o resultado da acção dos dois governos, do que já foi feito e do que ainda será realizado, que o país julgará.

A legitimidade democrática que lhe dá origem é a mesma? Querem ver que houve eleições e eu não dei por nada?

O compromisso com eleitores não se altera? Não me digam que o José Manel vai voltar de Bruxelas?! Valha-nos a nossa senhora do apito, outra vez.

A avaliação que se refere, compete-me informá-lo que, chumbou na frequência e terá que ir, imperativamente, a exame nas urnas meu caro, nesta matéria ainda é o povo que fixa as notas ok?!

Compromissos assumidos e já cumpridos foram alguns como por exemplo, os submarinos, o défice manipulado, o desemprego entre outros compromissos.

“2 – Os dois anos de trabalho do XV Governo Constitucional marcaram, de forma incontornável, a história de Portugal.�

O terramoto de 1785 também, capisce?

“3 – Hoje Portugal é um país com esperança e ambição�

Eu não digo que os tipos estão esquizofrénicos! Aonde é que eles vivem? Certamente que os milhares de desempregados pensam assim mesmo.

“Os critérios de rigor e de verdade que, finalmente, se impuseram às contas do Estado, permitiram o cumprimento, com responsabilidade, dos compromissos impostos pelo Pacto de Estabilidade e Crescimento.�

Mas eles acreditam mesmo naquilo que dizem ou pensam que somos assim tão estúpidos? Rigor nas contas? Vendemos o que tínhamos para vender, a despesa pública subiu assustadoramente, investimos em equipamentos desnecessários como são exemplo os submarinos e ainda falam em responsabilidade?

Estarão a falar do mesmo país?


segunda-feira, agosto 02, 2004

Por falar em preconceitos....

Correndo o sério risco de ser considerado preconceituoso, eu, não posso deixar de expressar a minha estranheza perante usos e costumes, modus operandi de algumas pessoas que, pertencendo a certas organizações, insistem em estilizar formas de pensar e actuar perante as várias situações e contextos às quais são confrontadas. Creio que, apesar da associação de certos silogismos, a formação de convicções está ligada à personalidade de cada um e, indubitavelmente, à forma como várias pessoas reagem ou apreendem, os mesmos valores, de formas diferentes. Essa particularidade intitula-se ancoragem directa, ou seja, a forma como indivíduos, diferentes entre si, apreendem conceitos e valores sociais comuns a todos de uma forma diferente. Tudo isto apenas para explicar o que eu vejo na actuação de partidários do PSD, apesar de, obviamente, serem indivíduos diferentes entre si no que concerne o espaço intimo de cada um mas que, e apesar disso, agem de forma idêntica perante os problemas a que são confrontados. De várias pessoas que conheço, partidárias ou simpatizantes, do PSD, existe um denominante comum. As reuniões infindáveis, as conversas, as horas que passam sem chegar a conclusão alguma. A falta de objectividade é clara e óbvia.
Normalmente, as reuniões devem ser convocadas para encontrar soluções para certos de determinados problemas, sendo que, o garante de uma reunião produtiva é, imprescindivelmente, o pragmatismo como os problemas devem ser equacionados, dando como é exigido, uma ênfase maior na solução do problema em vez do problema em si. Das reuniões, infindáveis, que tive com partidários do PSD, num contexto laboral, graças a Deus, havia sempre a particularidade de se falar horas a fio no problema e de quem o provocou para que, depois de horas de discussão, se agendar nova reunião para encontrar soluções. Claro que, soluções foram-se arranjando algumas, a saca rolhas e na maior parte das vezes, extemporâneas. Havia sempre outro factor que me deixava perplexo, o sucessivo e incessante recusar de chegar até ao problema, ou seja, de falar com quem tivesse cometido o erro e, de uma forma frontal, questioná-lo acerca do porquê. Dessa deficiência resultava sempre jogos palacianos, preconceitos e ideias estapafúrdias que resultavam, sempre, na agudização do problema.
Para se ser líder, primeiro, tem que se nascer líder, em segundo é necessário que, intrinsecamente, se seja organizado e saber planificar com provas anteriormente dadas. De repente, não consigo associar esta última ideia ao novo Primeiro Ministro. Quem por natureza consegue liderar, sabe perfeitamente, o que fazer, resume as reuniões significativamente. Não necessita de tantas reuniões, nem de apontar culpados pois tem uma noção concreta do que é um sistema que, forçosamente, tem de funcionar com pessoas, diferentes entre si, e que, para além de seu orgulho, anda também o orgulho e a percepção, diferente, dessas mesmas pessoas que o executam.

domingo, agosto 01, 2004

Eu e o Barão Vermelho

Ontem tive a felicidade de poder, novamente, privar com a companhia de meu avô, o Sr. Américo Oliveirinha (saí ao neto), os 86 anos de idade de meu avô em nada lhe retiraram a frescura mental que sempre o caracterizou. Entre conversas sobre Angola e o tempo em que lá esteve, aflorou à memória um episódio marcante da minha infância. Certo dia, quando o meu avô me levou à Base aérea de Sintra, onde era responsável pela manutenção e reabilitação de todos os aviões do Museu do Ar, eu fui com ele. Tinha 8 anos e já de então, a minha perícia no manche do avião era notável. Sentei-me num biplano de fabrico francês e, assim que descolei, tive um encontro entusiasmante, daqueles que todos os jovens pilotos de guerra anseiam, com o Barão Vermelho. A dog fight durou toda a manhã, tive que me esquivar das balas disparadas pelo avião, triplano vermelho, de tão pérfido herói do eixo do mal, mas venci, ou melhor, a fome venceu-me e o meu avô deu-me ordem para regressar à base. Após tão acesa luta, o descanso do guerreiro, merecido, e acompanhado com o meu avô, ele também guerreiro de outras lutas.
É impressionante o detalhe e a precisão das histórias mais recondidas que o meu avô tem da minha infância e da dele. À tarde passei directamente para uma nova era da aviação, o jacto. Aí tive a oportunidade de ver os aviões mais modernos mas, apesar da tecnologia maravilhar qualquer um, não apreciei muito. A sensação de lutar no ar contra um inimigo que, olhos nos olhos, pode ser confrontado, sempre me entusiasmou muito mais. Foi um dia mágico para mim, jamais me irei esquecer, e o Barão Vermelho também não, acabei por o derrotar a caminho de casa, no ford cortina branco do meu avô.
Américo Oliveira, natural de Aveiro, órfão de Pai desde os 3 anitos de idade, Socialista de velha guarda, viajou pelos sete cantos do mundo, tem imensas histórias para contar. Obrigado avô.

sexta-feira, julho 30, 2004

Bush versus Kerry

Feliz ou infelizmente, a eleição do próximo presidente Norte-americano terá influência para todo o mundo, e também, para o nosso país. Os Estados Unidos da América sempre tiveram a noção autista que, incrivelmente, são um ponto de referência para a democracia a nível mundial. Sempre discordei dessa teoria por motivos que são evidentes na História, infeliz, dos países de terceiro mundo que tiveram a “infelicidadeâ€� de terem petróleo no subsolo. Nem tudo é mau, o que vem do lado de lá do Atlântico entenda-se, aprecio Michael Moore, Dailly Show, o terceiro calhau a contar do sol e os Looney Tunes como não podia deixar de ser. Hoje descobri outra coisa que eu gosto acerca dos Estados Unidos, a campanha para as presidenciais, os god bless america tão bem ensaiadinhos, a laca no cabelo dos candidatos, o pretenso heroísmo atríbuido por uma guerra que eles perderam, a luta pessoal de candidato contra candidato e os outros que, parodiando como uma situação que só por milagre não seria parodiável, gozam com essa forma de estar na política tão americana. Neste link poderão ver um exemplo disso que me estou a referir, ou seja, a ausência de ideias, debate e a exploração apenas, da imagem dos candidatos como garante de uma vitória nas eleições. Sempre tive a ideia que o candidato que tivesse mais bandeirinhas e balões ganhava as eleições Ã  vontade. Vejam lá então o soquette!


Pintassilgos para quem não sabe o que são....

.â€� David the portuguese people are the kindest  people on earth, but put them behind the wheel and they become the devil himselfâ€�
Isto foi-me dito por um inglês de 70 anos em conversa acerca de Portugal, os Portugueses e a nossa forma de estar na vida. Desde 1993 morreram mais de 6000 jovens em acidentes de viação, fora os que ficaram com lesões para o resto da vida. È um tema que me preocupa como, preocupa-me também, as mortes ocorridas no local de trabalho por falta de condições de higiene e segurança e incúria por vezes dos trabalhadores. Na Inglaterra, vê-se sempre os trabalhadores com luvas calçadas, por cá, e lembro-me quando no verão eu e outros rapazes ia-mos fazer uns biscates nas obras, se calçasse-mos luvas éramos apelidados de, desculpem-me a expressão, pandelêros ( com a pronúncia ribatejana). Achavam muito normal que a rapaziada nova não usa-se luvas, mesmo que as mãos não estivessem devidamente calejadas. Chamavam-nos pintassilgos pois, a semelhança entre a cor das nossas mãos e o pássaro era marcante, para ilustrar melhor, as mãos castanhas do pó e sujidade, contrastando com o vermelho vivo das feridas, que eram provocadas pelos recortes afiados dos tijolos, assemelhava-se em muito com a cor do pássaro.
Em Torres Novas morreram três trabalhadores de uma destilaria, os três da mesma localidade, Casal do Tocha, foram limpar os silos do mosto com máscaras de inertes que, na melhor das hipóteses, evitam a inalação de poeiras e não mais. Como é possível um a fábrica enviar trabalhadores para silos de mosto, subterrâneos, sem máscaras de oxigénio? O mais chocante é que daqui a uns tempos no relatório, provavelmente, constará que os trabalhadores não cumpriram as normas de higiene e segurança no trabalho, e cá vamos andando com a cabeça entre as orelhas.

quinta-feira, julho 29, 2004

Andanças 2004

 

Passo desde já a publicidade a um evento muito interessante a decorrer em São Pedro do Sul ( Viseu ) que envolve workshops de dança tradicional de vários países do mundo. É interessante, o evento, como é interessante também visitar a zona para quem não conhece.

Resposta à pergunta da minha mamacita

 

Mãe Oliveirinha: Porque é que o guarda-redes cospe para as luvas?
Resposta: Mãezinha querida, o guarda-redes cospe para as luvas porque é feio cuspir para o chão. ehehe

quarta-feira, julho 28, 2004

Bloco de Esquerda

A entrevista de Judite Sousa a Francisco Lousã, ontem à noite na RTP 1, marcou-me por dois motivos muito distintos, ou antes, houve dois aspectos da entrevista que me marcaram. O primeiro aspecto que me marcou foi a Judite Sousa, não pode deixar de evitar a frustração patente no olhar lacrimante quando bombardeava Francisco Lousã com perguntas movidas pelo preconceito que o Bloco de Esquerda faz oposição pelo “ gozo “ de criticar por criticar. Francisco Lousã por sua vez respondeu sempre com alternativas, propostas, ideias e não, como é apanágio de alguns partidos políticos, e de também, políticos portugueses, retórica política, barata, que não vale nada. Por momentos vi, a Judite Sousa, como a embaixadora do establishment português que tanto nos sufoca actualmente. O segundo aspecto, mais importante no meu ver que o primeiro, foi, a imagem de uma esquerda, esta sim, renovada, virada para as necessidades actuais, personificada por Francisco Lousã.
Os aspectos que referi anteriormente provocaram em mim uma necessidade premente em concretizar uma série de ideias, anteriormente cogitadas mas não devidamente formuladas. Ver um político de esquerda que advoga a liberdade de todos os indivíduos por inteiro, sem fazer distinções nem privilegiar aqueles que por natureza ou estatuto adquirido, não precisam de serem protegidos, fez acreditar, ainda mais que, é possível ter uma sociedade dinâmica em que todos têem igualdade de direitos e oportunidades. O preconceito que alguns têem de pensar que a esquerda pretender “abater� os ricos para beneficiar os pobres a qualquer custo é, como indiquei anteriormente, um preconceito bacoco e propagandista de direita conservadora. Uma coisa é proporcionar igualdade de oportunidades no acesso a um ensino público de qualidade, e outra é, organizar cocktail de solidariedade balofo no Jet set. O que a esquerda renovada pretende é proporcionar igualdade de oportunidades para todos aqueles que, por um motivo ou outro, ver-se-iam desfavorecidos por não terem meios para crescerem como indivíduos e darem o tão indispensável contributo ao país, e conseguirem largar o ciclo infindável da pobreza e exclusão. Não é necessária a solidariedade balofa, a esmola, o que os mais desfavorecidos necessitam é de terem o apoio necessário para viverem condignamente e crescerem. Só de pensar na quantidade de pessoas que neste país abandonam os estudos por falta de meios, e imaginar o quanto se desperdiçou, em termos de capital intelectual, assusta-me.
Houve um aspecto com o qual eu discordei no que Francisco Lousã disse, que foi, quando respondeu à pergunta de Judite acerca do que seria a proposta do Bloco de Esquerda para renovação de modelo económico para Portugal, dizendo que Portugal não poderá competir com a China por exemplo no fabrico de DVD´s, devendo sim competir na produção de produtos mais avançados tecnologicamente ou de qualidade acrescentada. Quanto a isso, na essência, concordo pois, o quadro internacional actualmente, não permite isso mesmo devido aos salários baixos praticados na China. Não posso deixar de discordar com o que Francisco Lousã disse por um motivo simples. O problema dos outros também é nosso problema bem vistas as coisas. Pensar que a China pode produzir produtos a tão baixo preço apenas porque é assim mesmo está errado pois, não podemos esquecer do porquê desses produtos estarem a ser produzidos a tão baixo preço. Daí, qualquer modelo económico que assente num prisma da inevitabilidade dos países do terceiro mundo só serem competitivos devido aos salários está errado. Cada fábrica que abre num país do Terceiro Mundo para aproveitar apenas os salários baixos e, chocantemente, estarem desprovidas das mais básicas condições de trabalho, prejudica o Terceiro Mundo, agudizando o fosso e, prejudica também os países mais desenvolvidos pela perda de postos de trabalho. Aqui aflorei aspectos como a globalização, o fosso entre países desenvolvidos e o terceiro mundo mas não irei, aqui, aprofundar mais os temas, remeto isso para futuros posts.

Até logo

 
Hoje vou até ao Ribatejo profundo, daí não vou postar masi nada até voltar, até logo.