segunda-feira, agosto 16, 2004

Escuta e escuta bem mas não escutes demais.

Conversei uma vez com uma pessoa que trabalhou numa instituição pública vocacionada para a investigação criminal. Falámos acerca da investigação criminal em Portugal e seus meandros, e desde então, compreendi como se processam as investigações criminais e as escutas. Ao que parece, escutas e gravações de depoimentos, eram e são guardados religiosamente nas instalações, seguras, das instituições criminais portuguesas, mas também desaparecem. Adelino Salvado fez-me recordar a história, já aqui contada, do cágado em cima da árvore. Alguém o colocou lá em cima, Adelino Salvado, cágado político a serviço de quem mais poderá ter beneficiado com as suas conversas, entretanto, o cágado foi para o chão, não caiu, alguém o atirou da árvore abaixo.
Tenho tido a oportunidade de ver mais de perto o funcionamento da Justiça Portuguesa e, depois de muitas visitas a tribunais e a audiências, cheguei a algumas conclusões. Nem tudo é mau como devem calcular, no entanto, não chega sequer a ser bom. Desde investigações feitas e desfeitas conforme os implicados, a depoimentos de testemunhas devidamente doutrinadas, a julgamentos a correr e outros que teimam a empancar, o sistema judicial português vai funcionando, ou não. Processos judiciais ganham-se ou perdem-se muitas vezes por questões processuais. Um papel, um procedimento administrativo pesam mais, por vezes, do que os factos e a verdade. Pergunto-me por vezes, a quem é que isto beneficia? A uma corporação representativa da magistratura? A uma nata de advogados? Sei que não beneficia a justiça, aliás, esta é feita de vez em quando, ao sabor e vontade de quem tem o poder neste país desde tempos mais remotos.
Pedro Santana Lopes propôs um pacto de regime para a nomeação do substituto de Adelino Salvado. Sempre pensei que as pessoas fossem nomeadas de acordo com as suas competências técnicas para os diversos cargos, mas não, em Portugal as funções mais importantes são ocupadas por consultores, gestores e demais que opinam e opinam e no final, resultados zero. È fácil propor um pacto de regime de alguém que ficará sob controlo do governo mas com o aval da oposição, assim os Adelinos continuam a escutar e as investigações a empancar. Não haverá, na Polícia Judiciária, alguém que, tecnicamente, seja capaz de exercer o cargo? Parece que não, esses ouvem demais.

I´m back

O terror está de volta. Uma semanita de férias para retemperar as forças e eis-me de volta. Mais tarde vou postar aqui umas coisitas que fiz nas férias.

sexta-feira, agosto 06, 2004

Economia essa ciência do "oculto"

Ontem, devido a insónias causadas pelo calor excessivo, fui ver um pouco de televisão e, na SIC notícias, tive a oportunidade de ver dois comentadores de Economia, o João César das Neves e Guilherme Oliveira ex-ministro das finanças do último governo rosa. A uma dada altura, João César das Neves, disse que os governos estragam mais do que ajudam a economia. Isto porque, e segundo este, a economia é gerida por mercados que são compostos por pessoas e, naturalmente segundo este, nenhum governo consegue comandar a vontade e comportamentos de 10 milhões de pessoas, fazendo referência a Portugal. Ora bem, num ponto de vista meramente académico, logo teórico, não deixa de ser verdade, pois, há comportamentos de consumo que não são directamente “controlados� por nenhum governo, no entanto, existem políticas governamentais que influenciam a conjectura económica. No entanto, há algo de certo no que João César das Neves diz, ou seja, num ponto de vista estrutural, a vontade e forma de pensar dos investidores e dos contribuintes, influência de uma forma determinante o estado da economia, logo, aí o governo não terá um papel tão determinante quanto muitos julgam.
Quando num país como é o caso de Portugal em que, fugir aos impostos é norma doutrinária da maioria dos contribuintes, é claro que, nenhum governo pode personificar-se como a razão de todos os males. Por outro lado, temos que ver que a atitude e forma de estar do empresariado português não é a correcta. Isto explica-se porque a maioria dos empresários acha que a necessidade de investimento tem que ser, sempre, complementada por subsídios e ajudas do Estado. O Estado deve criar os meios para que a economia funcione de uma forma correcta e dinâmica mas, somente, do ponto de vista da função pública que, deve ser, rápida e célere na execução de todos os actos necessário e imprescindíveis para o bom funcionamento de um país.
Em conclusão, enquanto o empresário médio português pensar que pode fugir sempre aos impostos por não haver fiscalização minimamente eficaz e, por outro lado, a Função Pública funcionar da forma como tem vindo a funcionar, Portugal, do ponto de vista económico-estrutural, não poderá vislumbrar um futuro muito risonho. Por último, temos que ver o comportamento dos contribuintes em geral, enquanto não se deixar de fugir aos impostos como forma de vida, o Estado, que tem sempre as costas largas, não poderá funcionar da forma mais eficaz. Qualquer das vias, é necessário dizer que gastando vários milhares de Euros em submarinos não é a forma mais racional para um correcto funcionamento de um Estado que pretende a prossecução da satisfação das necessidades mais elementares de uma nação. A economia, por vezes, entra em campos que diremos, do oculto e do misticismo mas, diga-se em abono da verdade, tem regras que são básicas, ou seja, se não entra dinheiro, também não pode sair.

quarta-feira, agosto 04, 2004

Vamos lá a ver se entendo isto...

Devo ter falta à aula em que, de uma forma simples, um muy doto professor explicava como é possível vender algo financiando o próprio comprador com dinheiro provindo dos lucros da própria empresa que este pretende adquirir. Devo ser mesmo otário! Assim sendo, já podia ter comprado a Galp à mais tempo. Perdem-se cá cada oportunidades de negócio que, directamente, me faz efectuar um exame de consciência e concluir que sou um grande nabo.
Estou a pensar propor um negócio idêntico ao da Galp ao Estado. Vou propôr a aquisição da Assembleia da República para fazer daquilo um bordel de luxo em que o pobre também pode entrar. Como não muito dinheiro para investir, os que lá estão, actualmente, vão ter que dar o corpo ao manifesto. Para bem da nação! aceitam-se parceiros para joint-venture.

A ponte entre o ribatejo e lisboa

Ontem foi inaugurada a ponte, remodelada, de Constância. Uma oportunidade dourada para vir alguém de Lisboa cortar uma fitazinha colorida e proferir um discurso vago para não cometer a asneira de se enganar no nome da localidade entre outras coisas. A referida ponte une os concelhos de Vila Nova da Barquinha e Constância e, na ocasião da reabertura da ponte igual à de Entre os Rios, foi erigido um palanque para os mais altos dignitários do poder lisboeta e local. Tudo estava a correr bem até se aperceberem que, o referido palanque, estava montado em pleno concelho de Vila Nova da Barquinha. Ninguém da autarquia Barquinhense fora convidada para a inauguração. A isto eu chamo um caso nítido de azar.
Por estas e por outras é que eu penso, cada vez mais, que a Regionalização é tão necessária para a região do Ribatejo. Estarmos dependentes de indivíduos de Lisboa que só se lembram, a muito custo, que esta região existe, quando há eleições, custa bastante atendendo às carências que esta região possui actualmente. Não quero dizer com isto que não gostemos de Lisboetas, pelo contrário, rimo-nos bastante com eles, são divertidos. A questão da regionalização está, de certa forma, amenizada por via da forma de estar dos locais. O que eu adoro ver são os indígenas de Lisboa no verão e na feira do cavalo com os chapelinhos à caçador alpino ( não sei onde é que eles foram buscar aqueles chapéus com as penas de faisão espetadas no cruto do chapéu, como sendo típicos?! ). O contraste é hilariante, o cheiro a mofo e naftalina do chapelinho e o acentuado sotaque lisboeta fazem partir o coco a rir dos locais.

terça-feira, agosto 03, 2004

Programa de festas do Santana Lopes

Tive a oportunidade de dar uma leitura, transversal, no programa do Governo santanista e, consegui chegar ao ponto dois, da introdução, e parei. Reparei que me tinha enganado no programa, o que lá estava escrito, em nada condizia com o que se passa e se passou em Portugal. Levanta-se, desde já, uma questão pertinente, a que país pertence este programa?

Dão-se alvissíras, ou uma secretaria de estado em Bragança, a quem souber a que país pertence este programa governativo.

Eis a pérola política de PSL. Vão ter a oportunidade de ler esta panfleto publicitário, a quê não sei bem mas enfim, deste governo santanista, e daí, poderão verificar se estou enganado quando digo que estes tipos devem estar meio esquizo.

“1 – O programa do XVI Governo Constitucional que agora se apresenta à Assembleia da República assenta na continuidade das políticas desenvolvidas pelo XV Governo Constitucional.� (Valha-nos Nossa Senhora do Apito)

A legitimidade democrática que lhe dá origem é a mesma. A maioria parlamentar permanece intacta. O compromisso com os eleitores não se altera. A avaliação que deverá ser feita, pelos portugueses, no final da legislatura, não será de partes separadas, mas sim de um todo. Será o resultado da acção dos dois governos, do que já foi feito e do que ainda será realizado, que o país julgará.

A legitimidade democrática que lhe dá origem é a mesma? Querem ver que houve eleições e eu não dei por nada?

O compromisso com eleitores não se altera? Não me digam que o José Manel vai voltar de Bruxelas?! Valha-nos a nossa senhora do apito, outra vez.

A avaliação que se refere, compete-me informá-lo que, chumbou na frequência e terá que ir, imperativamente, a exame nas urnas meu caro, nesta matéria ainda é o povo que fixa as notas ok?!

Compromissos assumidos e já cumpridos foram alguns como por exemplo, os submarinos, o défice manipulado, o desemprego entre outros compromissos.

“2 – Os dois anos de trabalho do XV Governo Constitucional marcaram, de forma incontornável, a história de Portugal.�

O terramoto de 1785 também, capisce?

“3 – Hoje Portugal é um país com esperança e ambição�

Eu não digo que os tipos estão esquizofrénicos! Aonde é que eles vivem? Certamente que os milhares de desempregados pensam assim mesmo.

“Os critérios de rigor e de verdade que, finalmente, se impuseram às contas do Estado, permitiram o cumprimento, com responsabilidade, dos compromissos impostos pelo Pacto de Estabilidade e Crescimento.�

Mas eles acreditam mesmo naquilo que dizem ou pensam que somos assim tão estúpidos? Rigor nas contas? Vendemos o que tínhamos para vender, a despesa pública subiu assustadoramente, investimos em equipamentos desnecessários como são exemplo os submarinos e ainda falam em responsabilidade?

Estarão a falar do mesmo país?


segunda-feira, agosto 02, 2004

Por falar em preconceitos....

Correndo o sério risco de ser considerado preconceituoso, eu, não posso deixar de expressar a minha estranheza perante usos e costumes, modus operandi de algumas pessoas que, pertencendo a certas organizações, insistem em estilizar formas de pensar e actuar perante as várias situações e contextos às quais são confrontadas. Creio que, apesar da associação de certos silogismos, a formação de convicções está ligada à personalidade de cada um e, indubitavelmente, à forma como várias pessoas reagem ou apreendem, os mesmos valores, de formas diferentes. Essa particularidade intitula-se ancoragem directa, ou seja, a forma como indivíduos, diferentes entre si, apreendem conceitos e valores sociais comuns a todos de uma forma diferente. Tudo isto apenas para explicar o que eu vejo na actuação de partidários do PSD, apesar de, obviamente, serem indivíduos diferentes entre si no que concerne o espaço intimo de cada um mas que, e apesar disso, agem de forma idêntica perante os problemas a que são confrontados. De várias pessoas que conheço, partidárias ou simpatizantes, do PSD, existe um denominante comum. As reuniões infindáveis, as conversas, as horas que passam sem chegar a conclusão alguma. A falta de objectividade é clara e óbvia.
Normalmente, as reuniões devem ser convocadas para encontrar soluções para certos de determinados problemas, sendo que, o garante de uma reunião produtiva é, imprescindivelmente, o pragmatismo como os problemas devem ser equacionados, dando como é exigido, uma ênfase maior na solução do problema em vez do problema em si. Das reuniões, infindáveis, que tive com partidários do PSD, num contexto laboral, graças a Deus, havia sempre a particularidade de se falar horas a fio no problema e de quem o provocou para que, depois de horas de discussão, se agendar nova reunião para encontrar soluções. Claro que, soluções foram-se arranjando algumas, a saca rolhas e na maior parte das vezes, extemporâneas. Havia sempre outro factor que me deixava perplexo, o sucessivo e incessante recusar de chegar até ao problema, ou seja, de falar com quem tivesse cometido o erro e, de uma forma frontal, questioná-lo acerca do porquê. Dessa deficiência resultava sempre jogos palacianos, preconceitos e ideias estapafúrdias que resultavam, sempre, na agudização do problema.
Para se ser líder, primeiro, tem que se nascer líder, em segundo é necessário que, intrinsecamente, se seja organizado e saber planificar com provas anteriormente dadas. De repente, não consigo associar esta última ideia ao novo Primeiro Ministro. Quem por natureza consegue liderar, sabe perfeitamente, o que fazer, resume as reuniões significativamente. Não necessita de tantas reuniões, nem de apontar culpados pois tem uma noção concreta do que é um sistema que, forçosamente, tem de funcionar com pessoas, diferentes entre si, e que, para além de seu orgulho, anda também o orgulho e a percepção, diferente, dessas mesmas pessoas que o executam.

domingo, agosto 01, 2004

Eu e o Barão Vermelho

Ontem tive a felicidade de poder, novamente, privar com a companhia de meu avô, o Sr. Américo Oliveirinha (saí ao neto), os 86 anos de idade de meu avô em nada lhe retiraram a frescura mental que sempre o caracterizou. Entre conversas sobre Angola e o tempo em que lá esteve, aflorou à memória um episódio marcante da minha infância. Certo dia, quando o meu avô me levou à Base aérea de Sintra, onde era responsável pela manutenção e reabilitação de todos os aviões do Museu do Ar, eu fui com ele. Tinha 8 anos e já de então, a minha perícia no manche do avião era notável. Sentei-me num biplano de fabrico francês e, assim que descolei, tive um encontro entusiasmante, daqueles que todos os jovens pilotos de guerra anseiam, com o Barão Vermelho. A dog fight durou toda a manhã, tive que me esquivar das balas disparadas pelo avião, triplano vermelho, de tão pérfido herói do eixo do mal, mas venci, ou melhor, a fome venceu-me e o meu avô deu-me ordem para regressar à base. Após tão acesa luta, o descanso do guerreiro, merecido, e acompanhado com o meu avô, ele também guerreiro de outras lutas.
É impressionante o detalhe e a precisão das histórias mais recondidas que o meu avô tem da minha infância e da dele. À tarde passei directamente para uma nova era da aviação, o jacto. Aí tive a oportunidade de ver os aviões mais modernos mas, apesar da tecnologia maravilhar qualquer um, não apreciei muito. A sensação de lutar no ar contra um inimigo que, olhos nos olhos, pode ser confrontado, sempre me entusiasmou muito mais. Foi um dia mágico para mim, jamais me irei esquecer, e o Barão Vermelho também não, acabei por o derrotar a caminho de casa, no ford cortina branco do meu avô.
Américo Oliveira, natural de Aveiro, órfão de Pai desde os 3 anitos de idade, Socialista de velha guarda, viajou pelos sete cantos do mundo, tem imensas histórias para contar. Obrigado avô.

sexta-feira, julho 30, 2004

Bush versus Kerry

Feliz ou infelizmente, a eleição do próximo presidente Norte-americano terá influência para todo o mundo, e também, para o nosso país. Os Estados Unidos da América sempre tiveram a noção autista que, incrivelmente, são um ponto de referência para a democracia a nível mundial. Sempre discordei dessa teoria por motivos que são evidentes na História, infeliz, dos países de terceiro mundo que tiveram a “infelicidadeâ€� de terem petróleo no subsolo. Nem tudo é mau, o que vem do lado de lá do Atlântico entenda-se, aprecio Michael Moore, Dailly Show, o terceiro calhau a contar do sol e os Looney Tunes como não podia deixar de ser. Hoje descobri outra coisa que eu gosto acerca dos Estados Unidos, a campanha para as presidenciais, os god bless america tão bem ensaiadinhos, a laca no cabelo dos candidatos, o pretenso heroísmo atríbuido por uma guerra que eles perderam, a luta pessoal de candidato contra candidato e os outros que, parodiando como uma situação que só por milagre não seria parodiável, gozam com essa forma de estar na política tão americana. Neste link poderão ver um exemplo disso que me estou a referir, ou seja, a ausência de ideias, debate e a exploração apenas, da imagem dos candidatos como garante de uma vitória nas eleições. Sempre tive a ideia que o candidato que tivesse mais bandeirinhas e balões ganhava as eleições Ã  vontade. Vejam lá então o soquette!


Pintassilgos para quem não sabe o que são....

.â€� David the portuguese people are the kindest  people on earth, but put them behind the wheel and they become the devil himselfâ€�
Isto foi-me dito por um inglês de 70 anos em conversa acerca de Portugal, os Portugueses e a nossa forma de estar na vida. Desde 1993 morreram mais de 6000 jovens em acidentes de viação, fora os que ficaram com lesões para o resto da vida. È um tema que me preocupa como, preocupa-me também, as mortes ocorridas no local de trabalho por falta de condições de higiene e segurança e incúria por vezes dos trabalhadores. Na Inglaterra, vê-se sempre os trabalhadores com luvas calçadas, por cá, e lembro-me quando no verão eu e outros rapazes ia-mos fazer uns biscates nas obras, se calçasse-mos luvas éramos apelidados de, desculpem-me a expressão, pandelêros ( com a pronúncia ribatejana). Achavam muito normal que a rapaziada nova não usa-se luvas, mesmo que as mãos não estivessem devidamente calejadas. Chamavam-nos pintassilgos pois, a semelhança entre a cor das nossas mãos e o pássaro era marcante, para ilustrar melhor, as mãos castanhas do pó e sujidade, contrastando com o vermelho vivo das feridas, que eram provocadas pelos recortes afiados dos tijolos, assemelhava-se em muito com a cor do pássaro.
Em Torres Novas morreram três trabalhadores de uma destilaria, os três da mesma localidade, Casal do Tocha, foram limpar os silos do mosto com máscaras de inertes que, na melhor das hipóteses, evitam a inalação de poeiras e não mais. Como é possível um a fábrica enviar trabalhadores para silos de mosto, subterrâneos, sem máscaras de oxigénio? O mais chocante é que daqui a uns tempos no relatório, provavelmente, constará que os trabalhadores não cumpriram as normas de higiene e segurança no trabalho, e cá vamos andando com a cabeça entre as orelhas.

quinta-feira, julho 29, 2004

Andanças 2004

 

Passo desde já a publicidade a um evento muito interessante a decorrer em São Pedro do Sul ( Viseu ) que envolve workshops de dança tradicional de vários países do mundo. É interessante, o evento, como é interessante também visitar a zona para quem não conhece.

Resposta à pergunta da minha mamacita

 

Mãe Oliveirinha: Porque é que o guarda-redes cospe para as luvas?
Resposta: Mãezinha querida, o guarda-redes cospe para as luvas porque é feio cuspir para o chão. ehehe

quarta-feira, julho 28, 2004

Bloco de Esquerda

A entrevista de Judite Sousa a Francisco Lousã, ontem à noite na RTP 1, marcou-me por dois motivos muito distintos, ou antes, houve dois aspectos da entrevista que me marcaram. O primeiro aspecto que me marcou foi a Judite Sousa, não pode deixar de evitar a frustração patente no olhar lacrimante quando bombardeava Francisco Lousã com perguntas movidas pelo preconceito que o Bloco de Esquerda faz oposição pelo “ gozo “ de criticar por criticar. Francisco Lousã por sua vez respondeu sempre com alternativas, propostas, ideias e não, como é apanágio de alguns partidos políticos, e de também, políticos portugueses, retórica política, barata, que não vale nada. Por momentos vi, a Judite Sousa, como a embaixadora do establishment português que tanto nos sufoca actualmente. O segundo aspecto, mais importante no meu ver que o primeiro, foi, a imagem de uma esquerda, esta sim, renovada, virada para as necessidades actuais, personificada por Francisco Lousã.
Os aspectos que referi anteriormente provocaram em mim uma necessidade premente em concretizar uma série de ideias, anteriormente cogitadas mas não devidamente formuladas. Ver um político de esquerda que advoga a liberdade de todos os indivíduos por inteiro, sem fazer distinções nem privilegiar aqueles que por natureza ou estatuto adquirido, não precisam de serem protegidos, fez acreditar, ainda mais que, é possível ter uma sociedade dinâmica em que todos têem igualdade de direitos e oportunidades. O preconceito que alguns têem de pensar que a esquerda pretender “abater� os ricos para beneficiar os pobres a qualquer custo é, como indiquei anteriormente, um preconceito bacoco e propagandista de direita conservadora. Uma coisa é proporcionar igualdade de oportunidades no acesso a um ensino público de qualidade, e outra é, organizar cocktail de solidariedade balofo no Jet set. O que a esquerda renovada pretende é proporcionar igualdade de oportunidades para todos aqueles que, por um motivo ou outro, ver-se-iam desfavorecidos por não terem meios para crescerem como indivíduos e darem o tão indispensável contributo ao país, e conseguirem largar o ciclo infindável da pobreza e exclusão. Não é necessária a solidariedade balofa, a esmola, o que os mais desfavorecidos necessitam é de terem o apoio necessário para viverem condignamente e crescerem. Só de pensar na quantidade de pessoas que neste país abandonam os estudos por falta de meios, e imaginar o quanto se desperdiçou, em termos de capital intelectual, assusta-me.
Houve um aspecto com o qual eu discordei no que Francisco Lousã disse, que foi, quando respondeu à pergunta de Judite acerca do que seria a proposta do Bloco de Esquerda para renovação de modelo económico para Portugal, dizendo que Portugal não poderá competir com a China por exemplo no fabrico de DVD´s, devendo sim competir na produção de produtos mais avançados tecnologicamente ou de qualidade acrescentada. Quanto a isso, na essência, concordo pois, o quadro internacional actualmente, não permite isso mesmo devido aos salários baixos praticados na China. Não posso deixar de discordar com o que Francisco Lousã disse por um motivo simples. O problema dos outros também é nosso problema bem vistas as coisas. Pensar que a China pode produzir produtos a tão baixo preço apenas porque é assim mesmo está errado pois, não podemos esquecer do porquê desses produtos estarem a ser produzidos a tão baixo preço. Daí, qualquer modelo económico que assente num prisma da inevitabilidade dos países do terceiro mundo só serem competitivos devido aos salários está errado. Cada fábrica que abre num país do Terceiro Mundo para aproveitar apenas os salários baixos e, chocantemente, estarem desprovidas das mais básicas condições de trabalho, prejudica o Terceiro Mundo, agudizando o fosso e, prejudica também os países mais desenvolvidos pela perda de postos de trabalho. Aqui aflorei aspectos como a globalização, o fosso entre países desenvolvidos e o terceiro mundo mas não irei, aqui, aprofundar mais os temas, remeto isso para futuros posts.

Até logo

 
Hoje vou até ao Ribatejo profundo, daí não vou postar masi nada até voltar, até logo.

terça-feira, julho 27, 2004

Deixem o Homem trabalhar

Há coisas que desafiam toda e qualquer lógica possível e imaginária. Após o descalabro, ocorrido no ano anterior em termos de fogos florestais, com uma total e escandalosa falta de coordenação de meios e, também, de meios propriamente ditos, foi criada a agência de prevenção aos fogos florestais sob tutela do Ministério da Agricultura e Pescas. Esta agência foi criada com o objectivo de dotar as autoridades públicas e civis, de meios para a prevenção de fogos florestais, incidindo na criação de infra-estruturas de prevenção por um lado, e por outro, espantem-se, na reflorestação das áreas queimadas. Como podem verificar este ano, a prevenção mereceu um lugar de destaque, surrealista, por parte do executivo do Manel Baroso. Uma das medidas, inteligentes para quem lhes interessa ( comparsas do governo), foi de dotar as autarquias de meios móveis, carros entenda-se, para efectuarem a vigilância das florestas. Apesar de não ser um entendido na matéria, consigo prontamente, enunciar as amplas vantagens que trás um Toyota Yaris para uma correcta vigilância das florestas. Sim é isso mesmo, os veículos mais apropriados para efectuar a vigilância das florestas, segundo o executivo de José Manuel Barroso, foram os Toyotas Yaris, reputadíssimos veículos todo o terreno. Ao que parece, o entendimento do executivo foi o de não dar a alugar veículos todo o terreno para as autarquias porque, agora é que vem a parte mais hilariante, seria uma má opção tendo em conta que, os veículos em causa, seriam conduzidos por jovens. O facto de não ser engenheiro mecânico não me impede de tecer os mais rasgados elogios às qualidades, inegáveis, que um veículo citadino tem ao deslocar-se na floresta. Mais do que isso, proponho que todos os ministros se desloquem em Pick-Up´s pois, estas, por serem mais altas, adaptam-se melhor ao subir constante de passeios na cidade de Lisboa. È bom saber que temos pessoas inteligentes a tomar conta do país. O plano de reflorestação da área ardida no ano passado está em marcha, no lugar da paisagem lunar deixada pelos fogos, surgem agora relvados imensos com dezoito buracos e vivendas estilo nouvelle riche, repondo assim, a beleza perdida daqueles lugares. Hoje, quando via noticiário, ouvi a intervenção do Santana Lopes acerca dos fogos florestais que estavam e estão a lavrar vastas áreas do nosso país. A resposta dada por este à questão levantada por António Seguro, da bancada socialista, sobre o porquê de não ter havido qualquer tipo de comunicação nem medida para acorrer ao descalabro vivido até agora foi que, por via do facto de estarem dezoito distritos a arder, tornou-se difícil dizer o que fosse, fazer então muito menos. Assim não pode ser, deixem o homem trabalhar, Santana Lopes entenda-se. Como tal, proponho a todos aqueles que ateiam e ganham dinheiro com os fogos florestais que, em vez de incendiarem todos os distritos de uma vez só, que o façam de uma forma faseada, ou seja, um de cada vez. Desta forma, Santana Lopes já tem tempo para consultar a agenda e ver se tem tempo para dizer seja o que for e, quiçá, fazer qualquer coisita como enviar os BMW dos ministros para o combate aos incêndios.

Ashoka não estás sozinha

Pegando na ideia da Ashoka ( desculpa pelo plágio), propus-me a editar um comentário que, felizmente, não foi colocado no Raminhos mas sim no Blogotinha que, diga-se em abono da verdade, é um blog porreiro e descontraído, contrastando  os temas da actualidade com os  temas digamos que mais bem dispostos. Por vezes, receber comentários absurdos, infelizmente, faz parte da blogoesfera. No Raminhos, falei muitas vezes acerca do tema Racismo e, o comentário que vou transcrever a seguir, para além de ser racista, tem a particularidade de vir precisamente da supostamente parte mais fraca, ou seja, de alguém que pertence a uma minoria insignificante de brasileiros, espero eu, que concerteza, no dia que escreveu o comentário num post que não tinha nada a ver, estava muito mal disposto.

Eis a fina flor do entulho:

OL� COLONIZADORES BURROS,TUDO BEM??BOM,EU SOU BRASILEIRO,QUE VIVO EM UM PA�S PODRE,MISER�VEL E FEIO....MAS PORQUE O MEU QUERIDO BRASIL É ASSIM??A RESPOSTA É MUITO SIMPLES:PORQUE FOI COLONIZADO PELOS PORTUGUESES....QUE VIERAM AKI NA MINHA TERRINHA,E ROUBARAM TODA A NOSSA RIQUEZA,QUE,NO FIM,FOI TUDO P A INGLATERRA(PORTUGUES É BURRO MESMO).E OS EUA??VOCES J� VIRAM?ELES TAMBEM SAO UM PA�S COLONIA,NAO DOS PORTUGAS,MAS SIM DOS INGLESES...E ONDE OS EUA ESTAO?PRIMEIRA POTENCIA MUNDIA...TEM OUTRAS COLONIAS INGLESAS TAMBAM,COMO:PARTE DO CANAD�,AUSTRALIA....TODOS PA�S RICOS...E AS COLONIAS PORTUGUESAS??BRASIL,ANGOLA,MOÇAMBIQUE...COMO TODA A RIQUEZA QUE VOCES TIRARAM DO BRASIL,HOJE VOCES ERAM P SER O PA�S MAIS RICO DO MUNDO,MAS SAO O MAIS POBRE DA EUROPA...PORTUGAL NÓS DEVE UMA D�VIDA QUE NUNCA PODER� SER PAGA...ALI�S,PORTUGAL E BRASIL SAO A MESMA COISA,A DIFERENÇA E QUE VOCES SE ESCONDEM A� NESSE CONTINETE...O GOSTOSAO Email Homepage 26.07.2004 - 08:55 #

segunda-feira, julho 26, 2004

Corn Flakes

 
Permitam-me que partilhe convosco uma das minhas facetas anti-sociais que, das duas uma, ou é de mim ou a sociedade não faz mesmo sentido.
Corn Flakes! Corn flakes meus amigos! Que história é essa de comer cereais ( que na maior parte das vezes sabem a cartão canelado ) para tirar gáudio da quantidade de vezes que se vai à casa de banho?! Todos os spots publicitários indiciam que os produtos que promovem, ajudam, significativamente, os intestinos a “ limparem-se�. Não acham isto estranho? Será que ir à casa de banho muitas vezes é sinónimo de saúde? Ou será, a partir de agora, um evento social ou socializante? O que é feito das papas de aveia?
A brincar se dizem coisas sérias. O que eu acho preocupante realmente é a perca da boa tradição da cozinha tradicional portuguesa, do tipo mediterrânico, que é bem mais saudável do que as batatinhas fritas, os hambúrgueres que comemos ( eu não entenda-se, mas como faço parte da sociedade enfim…). Tive a oportunidade de ler um artigo que referenciava um estudo efectuado em vários países, dos quais constava Portugal, que indicava que a percentagem de obesos na população juvenil, tem vindo a crescer significativamente. Portugal, a par com a Irlanda, consta na lista dos que têem uma percentagem maior de obesos entre a população juvenil. È preocupante verificar isto pois é uma questão de saúde pública grave. Por outro lado, as crianças são bombardeadas, via televisão, com a noção que o esquelético é bonito ( pode ser, mas não como os modelos fotográficos anorécticos ) criando pressão e doenças preocupantes como a anorexia e a bolemia.

En Gallego

Quando as concepções nacionalistas do século XIX caíram por terra, faz cada vez mais sentido a existência de nações culturais que extravasam largamente as fronteiras físicas impostas pelos Estados. Portugal e a Galiza, desde sempre, partilham uma herança cultural comum de pai para filho. Actualmente, perguntar-se-á se não teria direito, a Galiza, a ser uma nação independente? A minha opinião é simples, criar um estado político com fronteiras físicas, é um contra-senso em termos pois, o que realmente conta é a cultura e o consequente intercâmbio cultural. O que teria que ser implementado? Uma bandeira? Um hino? Não creio que seja isso que se pretende.
O primeiro passo será, de uma vez por todas, instituir o gallego como língua oficial da Galiza, e não, o castelhano. Segundo, seria o estudo do gallego como língua materna. Sou suspeito para falar do tema pois, tenho ancestrais gallegos mas, em Portugal, o que somos todos nós senão gallegos independentes de Espanha.

domingo, julho 25, 2004

Ando a ser seguido de certeza

 
Mesmo quando decido ir ao Castelo do Bode para meter as carnes de molho, deparo-me com o (des)governo de Santana Lopes. Ã‰ impressionante mas verídico, após ter mergulhado na água maravilhosa do Castelo do Bode, vejo-me rodeado de jovens com cabelinho à jovem monárquico, com os seus objectos burgueses, barcos e motas de água, a importunarem quem quer nadar sem levar com um desses objectos na moleirinha.
Estamos a criar um futuro para quem? Para o jovem de barquinho potente e ruidoso que ciclicamente se aproximava da margem com olhar à matador fitando as jovens emigrantes embedecidas? Ou os dois putos a copularem debaixo de água? ( se a moça engravidar vai sair uma sereia ou a aquamen de certeza)
Não peço muito, é só poder tomar banho nas águas frescas do Rio Zêzere, sem me preocupar com os barcos e as motas de água a fazerem barulho e poluição desnecessária.  No entanto, para além e ter que levar com o PSL no governo, levo também com as crias desses tios e tias de bem.
Ribatejano sofre!

sexta-feira, julho 23, 2004

Odisseia no Espaço

A propósito de um post que vi num blog, a ter em conta, o Cacaoccino, recordando que, foi à 35 anos atrás que os Norte-Americanos pisaram a Lua nunca mais voltando desde então ( bem dito). Veio à minha molécula uma ideia, já previamente formulada por mim à uns tempos atrás, que tem a ver com a minha visão acerca do programa Espacial Norte-Americano. Eis o que penso acerca do referido programa:

Não se está a investir o suficiente neste programa, o que é uma lástima. Assim nunca mais teremos o Homem a viver no espaço. Se investissem o suficiente na pesquisa científica e tecnológica, uma preciosa dádiva seria dada ao Planeta Terra. Perguntam-me, ou julgam voçês que me estou a referir à descoberta do Cosmos, não, estou-me a referir a uma colónia espacial na Lua onde poderiam ir para lá todos estes inegrumenos, que só fazem peso no nosso Planeta, de resto não têem serventia nenhuma diga-se, como são exemplo Bush, Portas, Pedro Santana Lopes, Sharon, Blair entre muitos.

One small step for men, one giant step for mankind.

Tenho dito!